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| O mesmo riso |
Barros escreve em seu blog:
Retratado segurando bebida, cigarro e com múltiplas seringas pelo corpo, Geraldão encarnava o homem que, escravo de suas compulsões, tinha as possibilidades da vida esvaziadas: não trabalhava, morava com a mãe, solteiro, ressentia-se de ainda ser virgem. Nada construíra na vida. Esse estado lastimável ser mostrado pela via da comédia não reduzia a acidez da crítica.
Continua:
O homem [Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu] acusado de matá-lo, ao que consta, ironicamente tem uma vida parecida: não trabalha, não estuda e tem dificuldade em deixar o vício da cocaína; a procura pela religião da qual Glauco era bispo supostamente foi motivada pela tentativa de parar com a droga.
Pode-se se argumentar que há uma diferença entre o Geraldão e, por assim dizer, a sua personificação em carne e osso: o personagem das tirinhas tem humor.
Mas, a rigor, Cadu, em seu transtorno, também tem graça, como ficou evidente ao afirmar diante das câmeras de tv que não sabe se ficou louco ou se teve uma revelação de Deus quando matou Glauco e o seu filho Raoni.
Trata-se, é verdade, de um humor involuntário e ateísta, porque ser louco e ter revelação divina são a mesma coisa. Glauco, religioso que era, não assinaria em baixo. Portanto, o humor do Cadu-Geraldão supera o do seu criador.
Confirma-se, assim, o ditado segundo o qual a criatura sempre entra em conflito com o seu criador, como na história do Frankenstein e o dr. Victor, superando-o geralmente em um embate trágico.
Blog do Daniel Barros.

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