Sônia (nome fictício) estava em sala de aula e aí o professor pediu que ela se retirasse porque estava com a mensalidade atrasada. Ela saiu sem saber aonde colocar o rosto por causa do constrangimento.
Meses depois e naquele mesmo ano letivo, em 2007, mais humilhação: Sônia estava no pátio da faculdade, junto com colegas, e o mesmo professor disse em voz alta que ela, por ser inadimplente, não poderia fazer os exames de avaliação.
Todos escutaram.
Na Faculdade ASA de Brumadinha (foto), em Minas, Sônia fazia direito, curso cujos um dos objetivos, diz o site da escola, é a defesa dos “valores humanos fundamentais”.
Mas a aluna teve de recorrer à Justiça para que a faculdade levasse a sério o que diz o seu próprio site. E a escola foi condenada a lhe indenizar em R$ 4.150 por danos morais.
A aluna ganhou em primeira instância, mas a faculdade recorreu, e a sentença foi confirmada pela 17ª Câmara Cível do TJ (Tribunal de Justiça) de Minas Gerais.
O desembargador Lucas Pereira, relator do caso, disse que um professor jamais deveria cobrar um aluno, ainda mais diante de alunos. A cobrança teria de ser feita em lugar adequado por um funcionário da tesouraria, disse. A honra e a idoneidade da aluna foram expostas, afirmou. As informações são do TJ-MG.
No fim, a aluna deu ao professor uma lição da qual ele jamais se esquecerá.
Comentários
É inevitável não comentar sobre esses episódios apresentados em seu blog. Discute-se muito sobre violência na escola e sempre se atribui aos estudantes a sua matriz. Escola sempre sustentou um discurso ideológico da sua santificação, não é por acaso que nos seus processos organizativos constam normas rígidas para protegê-la dos “bárbaros”. Esse discurso é legitimado pela sociedade que ao longo da história confiou a esta instituição o projeto moralizante de educar a infância para a civilidade, ou seja, para o mundo da maturidade. Esse foi um grande mito moderno. Não estamos abertos para examinar mais de perto as práticas discursivas da escola para subalternizar os estudantes; para aceitar o fato de que muitos professores agenciam não somente valores positivos, mas também hipócritas; e para enxergar mais de perto a violência simbólica praticada de forma tácita, sutil no cotidiano escolar e que deixam marcas profundas em crianças, adolescentes e jovens. E esse campo tensivo se repete nas universidades e faculdades e, por incrível que pareça, os professores continuam entidades santificas mitificadas resguardados pelo sacro manto da academia. Os professores deveriam ser “agentes da esperança” e não funerários da mente.
Nesse momento, eu me envergonho de pertencer a esta categoria profissional.
Concordo com você. O professor é um agente importante na formação do sujeito. É uma profissão dignificanta,mas sua identidade vem passando por uma crise moral, ética e de competência.
Abs
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