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Japão inaugura memorial a escravas sexuais da 2ª Guerra

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Ex-escrava, a sul-coreana protesta em 2007 contra o Japão

Foi inaugurado nesta segunda (8 de setembro de 2008), na ilha de Okinawa, Japão, um memorial a escravas sexuais da 2ª Guerra Mundial (1939-45). Ele foi construído a partir de informações levantadas por pesquisadores do Japão e da Coréia do Sul, informa a BBC de Londres.

Soldados de todos os países, em sem exceção, praticaram abusos sexuais contra as mulheres de territórios ocupados – o que, aliás, é uma tradição que se perde na história.

Na Segunda Guerra, os japoneses se destacaram como senhores de ‘escravas’ – um fato histórico que só agora o povo japonês começa a debatê-lo – era tabu.

Recentemente o governo japonês admitiu a existência de escravas sexuais – e ainda assim porque foi forçado por países que estiveram ocupados por seus soldados, como as Coréias, China, Vietnã e Malásia.

Pesou também, e bastante, a decisão do Congresso dos Estados Unidos de exigir do governo japonês desculpas formais às mulheres escravizadas e a seus parentes. 

Em março de 2007, o primeiro-ministro Shinzo Abe, em nome do povo japonês, finalmente pediu desculpas.

Até então, para não ter de pagar indenização, o governo afirmava que não havia provas, apesar dos milhares de testemunhos.

Estima-se que o exército imperial japonês escravizou mais de 200 mil mulheres – muitas eram menores de 18 anos. Eram chamadas de “mulheres de conforto”.

Mas até hoje há, no Japão, resistência por parte dos conservadores em aceitar o fato histórico. Eles argumentam que, se houve abuso, foi cometido por civis, e não por militares, porque estes recorriam a prostitutas, a mulheres que se vendiam -- uma ofensa às ex-escravas.

Tal resistência dá uma medida da importância do memorial, que contém inscrições em 12 línguas. Ele foi levantado em terreno doado por Hirotoshi Yonaha, 75. Quando menino, ele costumava dar comida às escravas.

Só em Okinawa, onde ficaram estacionados 30 mil soldados, existiam 16 grandes “casas de conforto”.

Comentários

João disse…
Paulo,

Aqui na Europa pouco sabe-se da guerra do pacifico,a não ser o básico,que esta escravatura sexual começou na Manchúria,na China,pois foi aí que iniciou-se o imperialismo nipónico.

O que é espantoso amigo,é a forma natural como estes abusos bárbaros iniciam-se e como eles passam ser normais...nem todos que os praticavam são psicopatas e neuróticos sexuais,no entanto deixam-se levar pela corrente dominante,pelas ordens e "normalidades" comportamentais,e isto é para reflectir e preocupar seriamente.
Tal como o nazismo na Alemanha institucionalizou-se e impôs-se no país,na perseguição dos judeus por exemplo.

É um perigo que pode acontecer,estas "loucuras",em qualquer sociedade e tempo,sem nós darmos conta delas...

Abraço amigo,um bom inicio de semana,
joao
João disse…
É estranha,esta relutância em reconhecer certos crimes praticados nessa guerra...talvez tenha haver com uma mentalidade nacional,de orgulho ou vergonha pública...

Sei que tem sido penoso para as vítimas este processo de responsabilizar e receberem perdão pelos actos criminosos,e esta iniciativa é um símbolo que nunca devemos de esquecer,que a memória e a História são importantes.

Abraço Paulo,
joao
Paulo Lopes disse…
Pois é, caro João: o nazismo foi a barbaridade que nós sabemos, mas a Alemanha passou (e continuará passando muito tempo) por uma dolorosa e necessária autocrítica.

No caso das mulheres feitas escravas sexuais pelo exército imperial, não tem ocorrido a mesma coisa: o governo e o povo japoneses ainda relutam em assumir a atrocidade.

Por isso achei interessante a informação de que foi levantado no Japão -- por iniciativa de umas poucas pessoas, sem o apoio oficial -- um monumento às escravas. É indício de que o povo japonês começa a assumir os fatos históricos que lhe cabem.

Abs.

Paulo
Anônimo disse…
um dia desses um colega meu disse que as bombas atômicas jogadas no japão foram desnecessarias...rsrs, expliquei-lhe que os japa jamais se renderiam...e tb falei sobre as crueldades praticadas pelos japoneses...THE united of america, foram fantasticos....

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