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Estudantes usam o celular para banalizar a violência

A onda agora nas escolas – principalmente em particulares – é o uso por estudante de celular para filmar brigas e brincadeiras violências, como tapas e murro no rosto, para divulgá-las entre os colegas ou no Youtube. O vídeo acima é um exemplo disso.

Letícia de Castro, da Folha, informa que alunos de uma tradicional escola particular em São Paulo desafiam uns aos outros com  “cinco minutos sem perder a amizade”. Consiste na troca de sopapos entre dois colegas ou mais, enquanto alguém se encarregada de filmar. O perdedor será aquele que desistir primeiro.

Um garoto disse a repórter que a brincadeira só ocorre entre amigos, daí a expressão “sem perder a amizade”. Pois é o que se vê no vídeo abaixo, postado no dia 28 de setembro de 2008: duas amigas brincam de "joquempô e tapa na cara, joquempô e tapa na cara".

Para quem é do tempo em que tapa no rosto era a pior das ofensas, a brincadeira choca.

As escolas proíbem o uso de celular, mas há alunos que sempre dão um jeito de ter um à mão quando surge uma briga no intervalo das aulas ou na saída da escola.

Em alguns casos, a violência é encenada para a câmera do celular. Em vídeos do Youtube, às vezes fica difícil saber o que é para valer e o que é teatro, até porque é comum uma encenação tornar-se um “arranca-rabo” de verdade.

O uso do celular pelos jovens para banalizar (ainda mais) a violência começou nos Estados Unidos. No Youtube, existem vídeos de happy slapping (tapa feliz) postados há mais de um ano.

A brincadeira parece se inspirar nos valentões dos primórdios dos Estados Unidos, quando havia competição de muros no rosto, até que um caísse desmaiado, como costumam mostrar os filmes americanos.

Há ainda o  cyberbullying (no Brasil, se grafa também ciberbullying), que é a filmagem com celular de alguem sendo humilhado, com agressão física ou não, para que as imagens sejam disseminadas na internet.

No Orkut, na versão em português, existem centenas de comunidades  que criticam essa modalidade de violência. Na Anti-cybergullying, por exemplo, há um tópico com dicas sobre como não ser vítima dessa modalidade de agressão.

Na Califórnia, Estados Unidos, encontra-se em tramitação projeto de lei que, se aprovado, determinará a expulsão sumária da escola do estudante que praticar o cyberbullying.

E quando o cyberbullying for consensual, ou seja, quando agressor e agredido se alternarem, como na brincadeira do “joquempô e tapa na cara”?

Expulsa-se os dois? Talvez tenha de ser o caso.

E quem for chegado a um sadomasoquismo que o pratique entre quatro paredes, como vinha sendo até há pouco tempo.

 

 

> Escola indeniza família de aluno que apanhava de colegas. (agosto de 2008)

Comentários

X340 disse…
Que absurdo...
João disse…
Paulo,

Fiquei vendo os dois vídeos e outros do YouTube,e pensando como a situação está fora do controle agora...não será educação na escola ou família que vai fazer um retrocesso para um melhor ambiente juvenil...

Pois ele é criado pela cultura geral,videojogos,cinema,musica e televisão,etc,que incentiva ao rebeldismo e agressividade mal direccionada,uma cultura do heroísmo mal comportado.

Uma grande mudança de orientação educacional e cultural na escola e sociedade,em conjunto com uma afectuosa relação familiar de proximidade,será necessária.

Abraço Paulo,um bom sábado amigo,
joao
Paulo Lopes disse…
De acordo, João. Mas como dar uma nova orientação à cultura e à educação se os valores morais estão em crise e o que interessa são as vantagens proporcionadas pelo tal de mercado?

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