Os três jovens da favela do Morro da Providência, no Rio, não teriam sido os primeiros que soldados do Exército entregaram a rivais de outra favela.
Há cerca de três meses, os militares já teriam levado dois moradores do mesmo morro para a comunidade Roque Pinto, controlada por uma milícia. Como nesse caso a entrega não foi feita em mãos, por assim dizer, os moradores puderam fugir antes que fossem localizados.
A Folha obteve essa informação com mototaxistas que têm ponto perto da Companhia do Comando do Exército.
Transcreve o jornal: "Soltaram eles [sic] na avenida Brasil e mandaram correr em direção à favela", disse o mototaxista Ricardo Afonso Aída, 40. "Eles foram correndo, e, quando viram que a viatura tinha ido embora, deram meia volta. Por sorte, não foram pegos”.
Eis uma denúncia a ser investigada.
O primeiro relacionamento ‘amigável’ entre soldados do Exército e traficantes do Rio ocorreu em 2006, lembra o Estadão de hoje.
Naquela oportunidade, o Exército teria negociado com traficantes da facção Comando Vermelho a entrega de dez fuzis e uma pistola que sido roubados do seu quartel por civis.
Até hoje, o Exército nega essa versão e afirma que as armas foram encontradas em uma trilha próxima à favela da Rocinha.
O fato é que, embora tenha mobilizado tropas para pegar os bandidos -- a favela foi ocupada por 11 dias –, ninguém sabe até hoje quem roubou as tais armas.
Ah, sim, durante a ocupação, houve troca de tiros e um adolescente de 16 anos foi morto, e não se sabe o quem é um assassinato. Um traficante? Um soldado do Exército?
Ricardo Domingues, o delegado que investiga a morte dos três jovens da favela do Morro da Providência, suspeita que alguns dos soldados do Exército estejam envolvidos com traficantes. Ele vai pedir a quebra do sigilo telefônico do tenente Vinicius Ghidetti de Andrade Moraes, 25, e de seus subordinados, para saber se têm contato com traficantes.
> Governo brinca com os militares, diz pesquisadora. (Folha)
> Vergonha: Exército faz acordo com tráfico. (março de 2006)
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