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Juíza determina que o Exército saia já de favela

As tropas do Exército vão ter de sair imediatamente do morro da Providência, no Rio. Se não fizer (o que está fora de cogitação), pagará multa diária de R$ 10 mil.

A determinação é da juíza Regina Coeli de Medeiros de Carvalho Peixoto, da 18ª Vara Federal.

Ela atendeu, assim, pedido apresentado pelo Defensor Público da União, André Ordacgy. Só poderão permanecer no local os técnicos militares que acompanham o Projeto Cimento Social que está sendo implantado na favela desde dezembro de 2007.

A AGU (Advocacia Geral da União) informou que vai recorrer da decisão.

A sentença da juíza agrava a crise na qual o Exército se meteu por causa de envolvimento de seus soldados com traficantes.

No sábado, o tenente Vinicius Ghidetti de Andrade Moraes, 25, no comando de 10 homens, entregou três jovens da favela do Morro da Providência a traficantes de uma outra favela, a do Morro da Mineira, controlada por traficantes rivais.

Os jovens tinham desacatado a tropa, e o tenente admitiu que os entregou aos traficantes como um castigo, mesmo em descumprimento ao capitão de plantão. "Tô cagando para o capitão", teria dito.

Aos traficantes, segundo depoimentos de soldados de seu grupo, ele falou: “Eu trouxe um presentinho para vocês”.

No domingo, os corpos dos três jovens foram encontrados em um lixão da Baixa Fluminense.

Os onze militares estão presos preventivamente por determinação da Justiça.

O capitão Peçanha (não foi divulgado o sobrenome dele), encarregado pelo IPM (Inquérito Policial Militar) que apura o caso, pediu a prorrogação da prisão por mais dez dias para quatro militares. Entre eles está o tenente Moraes.

Inicialmente, no domingo, o comando do Exército defendeu a tenente e seus subordinados com o argumento de que eles tinham sido desacatados. Mas o Exército teve de admitir oficialmente que a operação foi um desastre.

O presidente Lula afirmou que as famílias dos três rapazes assassinados serão indenizadas  pelo governo. Foi duro ao criticar a atitude dos militares do Exército,  “um ato abominável e insano”.

Em sua sentença, a juíza Regina disse que o Exército se mostrou inábil e despreparado para cuidar da segurança da favela do Morro da Providência, uma tarefa, inclusive, que por lei não lhe cabe. A Polícia Nacional deverá substituí-la no morro.

Embora a AGU tenha adiantado que vai tentar judas_exercito anular a decisão da juíza, ninguém acredita que o Exército volte ao Morro da Providência. Os moradores estão revoltados e nesta quarta eles dependuraram na favela um Judas fardado (foto).

O clima é tenso, e o Exército se afundou em uma crise sem precedente nos últimos anos.

FRASE:  “Pelo amor de Deus, eles vão nos matar”. (De um dos três rapazes para o tenente Moraes)

> Mais sobre o caso.

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