
Vocês já sabem: Tropa de Elite, de José Padilha (foto), ganhou o Urso de Ouro de Melhor Filme do Festival de Berlim. Antes, o mesmo filme foi considerado inadequado por uma comissão do Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar. O filme escolhido, O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, nem sequer passou na pré-seleção do prêmio.
A comissão, formada pelos cineastas Hector Babenco e Bruno Barreto, pelos críticos Rubens Ewald Filho e Leon Cakoff, e pelos jornalistas Ana Sousa e Pedro Butcher, considerou Tropa pesado demais para o júri do Oscar, como se os filmes americanos fossem todos exemplo de leveza.
Detalhe: em Berlim, Tropa venceu o filme favorito para o prêmio, Sangue Negro, que concorre a oitos Oscars. É o segundo filme brasileiro a levar o Urso de Ouro – o primeiro foi Central do Brasil, de Walter Salles, dez ano atrás.
No Brasil, o que houve mesmo foi uma censura ideológica: Tropa foi tido como fascista pela comissão. Sim, o filme é violento, tem tortura policial. Mas é como a realidade brasileira.
Outro detalhe: Tropa obteve no Festival de Berlim a unanimidade do júri presidido pelo cineasta grego Costa-Gavras, um cineasta, veja só, de esquerda. Ele é diretor do famoso Z, filme que denuncia a tortura da ditadura que se instalou na Grécia na década de 60. Costa-Gavras pode ser criticado de tudo, menos de fascista.
Pois é: os censores ideológicos quebraram a cara. Porque agora, queiram eles ou não, o Tropa concorrerá ao Oscar 2009.
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