Da Folha:
"O reajuste transformou-se numa disputa pessoal entre os deputados fluminenses Miro Teixeira, líder do PDT, e Fernando Gabeira. Os dois trocaram farpas na Câmara.
A discussão começou na reunião dos líderes. No encontro, Teixeira defendeu a votação imediata do fim da verba indenizatória, o que desagradou as siglas que queriam que o assunto fosse abordado em 2007.
Apoiado por PSOL e PPS, Gabeira foi o que mais defendeu o adiamento. "Depois que eles perderam a discussão sobre os R$ 24,5 mil, resolveram nos constranger propondo o fim da verba indenizatória", disse. Ao argumentar sua proposta em plenário, Teixeira cobrou uma posição de Gabeira.
"É uma tentativa de salvar a face dos que defenderam os R$ 24,5 mil", respondeu Gabeira, que afirmou que, apesar de ser a favor do fim da verba indenizatória, o tema não deveria ser discutido agora. "Dou um rim, dou um fígado, eu topo tudo pelo Brasil."
Logo depois, o líder do PDT voltou a pedir a palavra. "Trato com respeito os meus colegas. Nunca saí atacando essa Casa, não fiquei dizendo que os deputados queriam dinheiro." "Mais doloroso que faltar uma parte do corpo é faltar caráter", disse. Gabeira retrucou: "Dizer que a mim falta caráter? Diga para o Brasil que a mim falta caráter".
Comento: neste imbróglio do aumentão de salário dos parlamentares, Gabeira se consolidou como porta-voz da opinião pública. Ele já tinha se alçado a esse posto quando enfrentou Severino e ajudou a derrubá-lo da presidência da Câmara. Esse novo Gabeira, digamos assim, mais prático e menos retórico, tem deflagrado uma ciumeira entre deputados por causa do espaço que ele vem obtendo na mídia. Além de Miro Teixeira, Gabeira também foi repreendido pela deputada Luciana Genro, que reclamou do fato de o PSOL não ter sido avisado de que seria encaminhada à Justiça uma representação contra o reajuste de 91%.
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