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Jornalista demitido acusa TV Globo de ter feito cobertura antipetista da campanha eleitoral


Ao saber que tinha sido demitido da TV Globo, onde fora contratado em 1995, o jornalista Rodrigo Vianna mandou aos seus colegas, pela intranet da emissora, uma carta de despedida onde critica o jornalismo global, principalmente a cobertura da última campanha eleitoral. Vianna diz que foi uma cobertura antipetista. Mino Carta, em seu blog, informa que a CartaCapital desta semana publicará reportagem sobre o assunto, com “largos trechos” do que Vianna escreveu. Mas a íntegra da carta do jornalista está desde ontem (19) no Terra Magazine. Transcrevo alguns trechos:

"[Houve] intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "O fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

“Entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "Por que não vamos repercutir a matéria da IstoÉ, mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? (...). Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?.”


“Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar.”
“O que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele [Freud] trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.”
“Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!”

“Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?”


"(...) passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira".

Só esses trechos da carta mostram que Vianna fornece vasta munição a quem acusa a Rede Globo de manipular as informações para prejudicar o Lula e o PT. Espera-se que o departamento do jornalismo da emissora dê uma resposta pública ao jornalista, para que haja o tal do “outro lado” do fato, o contraditório.

Se todo jornalista demitido contasse o que se passa dentro das redações, a imprensa já não seria a mesma.

> Íntegra da carta

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