Delfim Netto (foto), economista que se notabilizou como ministro da ditadura militar, deu uma entrevista ao G1, portal da Globo, dizendo o seguinte: – Eles [os petistas] se aproximaram muito mais de mim do que eu deles.
Ele lamentou o pequeno crescimento econômico do Brasil em 2006, disse que a única saída ao governo é cortar gastos, criticou a carga tributária e caprichou nos elogios a Lula:
– Minha adesão total ao Lula veio em 2002, com a Carta aos Brasileiros. Eu acreditei nela por que, ali, Lula superou aquela ideologiazinha rasteira e apresentou ao país um programa importantíssimo, que bateu com meu pensamento, antigo, de que falta uma hipótese no pensamento econômico: a urna. É por causa da urna que faz sentido colocar o combate à fome como prioridade. Essa é a grande vantagem de Lula e não adianta ficar brigando contra, dizer que o projeto dele é assistencialista. O Lula sente o pobre. Nós, quando falamos de pobre, somos um pouco cínicos. O resultado é que a distância entre as pessoas, na distribuição de renda, diminuiu pela primeira vez.
Delfim foi ministro todo-poderoso do Médici, de 1969 a 1974, anos dos mais sombrios da ditadura por causa da tortura a combatentes do regime. Naquela época, a economia cresceu 10% ao ano, mas houve um salto na expansão da dívida externa e na concentração de renda, mal este do qual o país sofre até hoje. E os índices da economia deixaram de ser confiáveis, porque Delfim era dado a manipulá-los.
Aos 78 anos, o economista redondo e vesgo (ele adora ser caricaturado) continua bom de lábia, embora não tenha conseguido se reeleger deputado pelo PMDB. Ele encantou o general Médici, da mesma forma que faz agora com Lula. Delfim adora o poder, e não seria surpresa se ele voltar a assumir um ministério.
Íntegra da entrevista.
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