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Da Folha

Lula critica "golpismo" e fala em 2º turno

Em evento com prefeitos, presidente disse que rivais têm buscado "outros meios" para retirá-lo do Palácio do Planalto

EDUARDO SCOLESE
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Em discurso ontem a cerca  de 500 prefeitos, o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva insinuou haver um clima de golpismo na oposição e admitiu a  possibilidade de a eleição ser  decidida no segundo turno. Segundo ele, seus adversários têm  buscado "outros meios" para  retirá-lo do Palácio do Planalto.

"Tem gente neste país que falou: "Vamos deixar o operário  entrar, ele não vai dar certo e  depois a gente volta com toda a  força". Só que os números mostram que demos mais certo do  que eles, e eles agora estão ansiosos para ver se existem outros meios, que não é da relação  democrática da eleição, para  evitar que as pessoas dirijam  este país", disse o presidente.

Na mesma linha, também  agradeceu o apoio de sindicatos  e movimentos sociais. "É preciso ficar de olho, porque tem  gente neste país que ainda não  aprendeu a viver na democracia", afirmou, em evento com  prefeitos num hotel de Brasília.

Lula falou após ter ouvido  discursos de prefeitos, do vice-presidente, José Alencar, e do  ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). A maioria  deles inflamou a platéia ao atacar as "elites" e denunciar o que  classificam de uma espécie de  complô da imprensa contra a  reeleição do presidente.

"A veia democrática do povo brasileiro não permitirá que o resultado das urnas seja fraudado pela manipulação da informação, pela informação unilateral, e pela forma absolutamente arbitrária como seu governo está sendo atacado", disse Tarso, coordenador político do governo e principal responsável por rebater os ataques.
  
2º turno

Em fala de improviso, o petista disse ter certeza da vitória,  mas incluiu a possibilidade de  segundo turno e pediu ânimo  se a eleição não for vencida em  1º de outubro. "Se não deu no  primeiro turno e tiver segundo  turno, não tem nenhum problema, porque o mundo é assim  mesmo e é bom que tenha dois  turnos. Que nós vamos ganhar,  eu tenho certeza." No evento,  recebeu um manifesto de apoio  assinado por 2.135 prefeitos.

Lula declarou que a análise  do conteúdo do dossiê contra  tucanos é mais importante do  que as investigações sobre a  montagem e a venda do documento. Sobre os envolvidos no  caso, muitos próximos do próprio petista, Lula elevou o tom,  dizendo que "quem compra vira tão bandido quanto eles".

"Eu quero saber de onde veio  o dinheiro sim, eu quero saber  toda a tramóia que houve, mas  sobretudo eu quero saber que  diabo de conteúdo que há nesse  dossiê que pessoas cometeram  a enroscada que cometeram".

Lula atacou os petistas envolvidos no escândalo. "Se alguém botou para vender uma  informação, é porque é bandido. E quem compra vira tão  bandido quanto eles."
À CBN Lula buscou se distanciar dos envolvidos no escândalo, inclusive de seu amigo  Jorge Lorenzetti. "O Jorge Lorenzetti não tinha nenhuma  participação no governo." Ao  atacá-los, falou em "prática política condenável", pessoas  "imbuídas de momentos de  loucura" e "imbecilidade".
  
Alencar

Ao sair ontem em defesa de  Lula no escândalo do dossiê, o  vice-presidente da República,  José Alencar, atacou a estrutura petista e minimizou a influência do candidato dentro  do PT. Para ele, Lula é "vítima  de ações insanas do partido".

Em entrevista antes do encontro, o vice disse que os partidos devem prezar por "ideais"  e fugir de interesses "subalternos": "Há quatro partidos grandes no Brasil e alguns outros  que naturalmente irão se fundir (...) Que essas fusões se façam dentro de um princípio de  ideais, de afinidades, não ligadas a interesses subalternos."

Segundo Alencar, Lula tem  sido "vítima" da atual estrutura  petista. Questionado se Lula  tem controle entre os petistas  que o cercam, Alencar respondeu: "Ele tem controle, sim senhor. Só que ele não é o coordenador do partido e nem mesmo  participa da coordenação. O  braço dele não alcança essa distância. Ele colocou lá pessoal da  sua confiança. Houve problemas? Foram punidos".

Alencar atribuiu ao "desespero" eleitoral o fato de a oposição usar a crise do dossiê nas  propagandas eleitorais no rádio e na TV. E criticou o tom  das perguntas sobre o escândalo, ao comentar as ações da Polícia Federal: "Veja com que espírito democrático é conduzido  o governo. Isso é que vocês tem  que compreender, porque, do  contrário, acabam se colocando  de uma maneira aparentemente de oposição".

No discurso, Alencar chorou  ao lembrar de dificuldades da  adolescência.  (ES E PDL)
    

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