Algoritmos começam a substituir Deus. Isso é bom?


Inteligência Artificial vai se
tornar onipresente e 
onisciente

O aumento de pessoas sem religião em praticamente todo o mundo ocorre no momento em que a internet se populariza, abrangendo cada vez mais pessoas, bilhões.

Não é mera coincidência.

Muitas pessoas, para saber das coisas ou obter conselhos, não precisam mais recorrer a intermediários de Deus, como padres e pastores.

Basta dar alguns cliques na página do Google para se ter acesso a uma abundância de informações, inclusive de porta-vozes de deuses.

Eis um fato do qual muita gente ainda não se deu conta: o algoritmo de gigantes da internet, como o Google e o Facebook, estão substituindo a necessidade da existência de um todo-poderoso mítico, que sabe tudo e pode tudo.


Por que alguém deveria pedir a um padre um conselho sobre o aborto se já sabe qual é a posição [retrógrada] da Igreja Católica?

A troca de Deus no imaginário humano por algoritmos foi prevista por alguns estudiosos, como israelense Yuval Noah Harari, autor do best-seller ‘Sapiens: Uma breve História da Humanidade’, 2011 [ver vídeo abaixo].

Em seu livro “Homo Deus. Uma breve história do amanhã”, de 2017, ele aborda a presença dos algoritmos cada vez maior na vida das pessoas e as prováveis consequências disso.

Isso, a rigor, não significa um avanço para a humanidade e indivíduos, ainda que possa haver novas facilidades no dia a dia.

Harari alerta que pode estar havendo a substituição de velhas crenças por uma nova, a tecno-religião, que, como tal, usurpa o poder de decisão das pessoas, como o deus cristão.

Ele cita um exemplo prático e simbólico: o uso do Google Maps e o Waze facilita as pessoas a acharem o caminho mais rápido, mas transfere para o algoritmo desses aplicativos a habilidade e decisão de determinar o percurso.

Harari, que é judeu, ateu, homossexual e vegano, argumenta que as decisões induzidas pelos algoritmos certamente vão apresentar alguns avanços na sociedade, como deixar de levar em conta preconceitos na tomada de decisões.

Mas ele adverte que os algoritmos, por serem alimentados por Inteligência Artificial, poderão criar outros preconceitos contra grupos de pessoas ou mesmo em relação a um indivíduo isolado.

Nesses casos, as vítimas terão muito mais dificuldade para se defender ou reagir, até porque poderá levar anos para que elas descubram que são alvos de um bug ou de uma idiossincrasia de uma programação em constante modificação.


É possível, por exemplo, que o algoritmo todo poderoso, o Big Data, aquele que um dia vai congregar todos os outros, não goste ou “goste menos” de quem tem dois “is” no nome.

Trata-se de um exemplo extremo (tanto quando avaliar as pessoas pela cor de sua pele), mas possível.

A crítica não tem sido tão favorável ao “Homo Deus” como foi em relação a “Sapiens”, mas o mais recente livro de Harari merece ser lido só por provocar uma reflexão sobre isto: todo e qualquer tipo de divindade, da mitologia ou da tecnologia, enfim, tudo que sequestra o poder de decisão das pessoas conspira contra a humanidade.


Com informação de livros e entrevistas de  Yuval Noah Harari.





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