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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Papa não faz o que prega porque Vaticano investe em energia suja

Investimentos em petróleo, gás
e carvão chegam a 7 bi de euros

por Franco Zantonelli
para La Repubblica

Em maio deste ano [2015], o papa Francisco se fez promotor da encíclica Laudato si, com a qual pede maior respeito pelo ambiente, mas, enquanto isso, o Vaticano manteve os seus substanciais investimentos em energias não eco-compatíveis.

Isso foi destacado durante um congresso por dom Charles Morerod, bispo da diocese que abrange Lausanne, Genebra e Friburgo. "Eu pretendo tornar isso presente aos conselheiros de Sua Santidade", prometeu o prelado suíço na quinta-feira, diante de uma centena de fiéis que participaram, na Universidade de Lausanne, de uma série de conferências intitulada "Livremo-nos das energias fósseis".

Em essência, dom Morerod, que também preside a Conferência dos Bispos da Suíça, convida a Igreja a passar das palavras para os fatos em uma questão que, em particular na Confederação, é particularmente sentida.

No entanto, quando esse bispo, que, como meio de locomoção, prefere a bicicleta, é questionado sobre a dimensão dos investimentos do Vaticano em energias fósseis, um pouco ingenuamente, ele afirma não saber.

"Trata-se de 7 bilhões de euros, subdivididos entre petróleo, gás natural e carvão", informa a ele, então, um dos participantes da série de conferências na Universidade de Lausanne, como escreve o jornal Le Matin Dimanche.

Ao ouvir esses dados, a Irmã Terra corre o risco de protestar em vão "pelo mal que lhe provocamos, por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela pôs", apenas para lembrar uma passagem do Cântico de São Francisco, citado pelo papa na sua encíclica Laudato si.

Quanto a dom Morerod, ele não fez nada mais do que se alinhar àquelas paróquias anglo-saxônicas e da Europa do Norte que, há já algum tempo, convidaram os seus fiéis a retirarem todos os seus investimentos dos grupos envolvidos no negócio das energias fósseis.

Isso significa, dentre outras coisas, ficarem longe de gigantes bancários como UBSe Goldman Sachs, que, com esse negócio, continuam lucrando. "Em nome da moral ecológica e do respeito pela criação", explicou Guillermo Kerber, diretor de Conselho Ecumênico de Igrejas de Genebra, alegrando-se com a iniciativa de Dom Morerod.

Com tradução de Moisés Sbardelotto para IHU Online. O título do texto é deste site.





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