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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

quarta-feira, 18 de março de 2015

Médico não entende quem tem saúde mental possa ser ateu

Médico fere a ética e
manifesta preconceito
e intolerância
O médico Jacinto Flecha publicou um artigo no Diário da Manhã, de Goiás, afirmando que, para quem, como ele, “nasceu em família católica e passou toda a vida em meios católicos, é difícil compreender que pessoas mentalmente sadias não acreditem na existência de Deus”.

A afirmação, além de ser preconceituosa contra os ateus, fere o código de ética dos profissionais de medicina.

Ele escreveu, também, que muitos dos ateus adoram o demônio. “São ateus porque não querem prestar culto a Deus, mas aderem às piores abominações para cultuar esse outro ‘deus’”.

Com isso, Flecha mostrou ser portador de ignorância ou, o que é mais provável, de má-fé, porque não há ateu que reverencie o diabo simplesmente porque ele não acredita em seres sobrenaturais, tidos pelos religiosos como do mal ou do bem, sejam o que forem.

O ateu que se assina como Epaminondas escreveu no espaço de comentários de leitores do site do jornal que o artigo de Flecha é um exemplo do sectarismo religioso. “Na tese do autor, existem quem acredita em Deus e "o resto". Neste balaio, mete-se ateus, satanistas, hindus, islâmicos e torcedores do Atlético.”

Ele explicou a Flecha que ateus não acreditam em saci, unicórnios, minotauro, sereia, papai Noel e seres mitológicos abraâmicos.

“E se não damos bolas para a mitologia abraâmica, acontece uma coisa muito bacana: também não acreditamos no demônio. Para ateus, uma "missa negra" tem o mesmo sentido e eficácia de uma "missa branca". Ou azul. Ou grená.”

Com ironia, Epaminondas escreveu ser curioso que “pessoas mentalmente sadias”, na expressão do próprio Flecha, possam não entender que a “existência do diabo só se dá através de crença em deus. A doutrina que prega que ambos existam é a mesma”.

O leitor concluiu: “Criado numa família cristã, o autor não deve ter conhecido muitos ateus na vida. Senão saberia que ao invés de ir em missas negras, aos sábados à meia noite, ou estamos num boteco ou dormindo”.

Walter Costa, outro leitor, afirmou que o autor cometeu crime de intolerância religiosa contra os ateus, por lhes imputar a pecha de maus e adoradores do mal. "Vou enviar o texto [de Jacinto Flecha] para as autoridades, de modo que elas possam se manifestar e o processar."

O artigo de Flecha foi publicado originalmente no blog Agência Boa Imprensa, que, pelo que dá para se concluir de seu conteúdo, se dedica a divulgar o ponto de vista dos radicais de direita da Igreja Católica.




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