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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

‘Minha aluna TJ morreu por recusar transfusão de sangue’

por Jerry Guimarães

"Na última hora, ela decidiu aceitar a
transfusão, mas já era tarde"
Ainda estou... Nem sei dizer como estou me sentindo.

Na semana retrasada morreu uma aluna minha do 2º ano do ensino médio, em Maracás [Bahia], cidade de meus vivos e meus mortos, onde fui TJ e onde atualmente sou professor da rede estadual de ensino. Eu não havia ido trabalhar, pois estava de atestado médico. Minha otite periódica, para variar.

Só quando voltei ao trabalho, na semana passada, fiquei sabendo do ocorrido. Como tenho cerca de quinhentos alunos, não pude me lembrar de cara de quem se tratava. Fui até a secretaria consultar os documentos dos alunos, para ver uma foto sua, mas a responsável não estava. Voltei então para a cidade onde moro, Vitória da Conquista, onde estou agora.

Marcaram-me numa foto no Facebook. Fui verificar o que era, e lá estava a foto que procurei e não encontrei. Não entendi quando vi a foto da aluna que, enfim, reconheci. Mas eu não havia ainda ligado a foto ao fato.

Cristãos da cidade estão indignados pelo fato de ela ter morrido por haver se recusado a receber transfusão de sangue. Foi um golpe seco no meu estômago. Ali estava, enfim, a foto da aluna. Lembrei-me de como ela era participativa. Tinha alguma dificuldade de aprendizagem, mas se esforçava muito. Batíamos papo antes e após as aulas.

Certamente ela deveria saber que eu sou ex-TJ. Quando fui dar aula lá, pela primeira vez, anos atrás, os alunos TJs da escola se reuniram com o corpo de anciãos para discutir como deveriam se portar na aula de um apóstata. Mas, apesar disso, ela nunca deixou de ser simpática comigo.

Para me deixar ainda mais tonto, soube que ela, na última hora, decidiu aceitar a transfusão de sangue. Mas já era tarde. Ela morreu. Do ponto-de-vista legalista e hipócrita da Torre, morreu fraquejando na fé. Dissociando-se. O pior de tudo é saber que, se ela fosse búlgara, não haveria problema nenhum. Não precisaria ter protelado tanto a transfusão.

Imagino toda a aflição mental, além da física, pela qual ela passou. Ela tinha uma esperança. Mas a última esperança foi a de viver. Aqui e agora. Ela quis viver. Ela disse não à Torre. Mas já era tarde.

Eu queria que minha aluna fosse búlgara.

[Nota do blog: As Testemunhas de Jeová da Bulgária permitem que os fiéis recebam a transfusão.]

Este texto foi publicado originalmente no fórum Ex-Testemunhas de Jeová.





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