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sábado, 11 de agosto de 2012

Vicente e Soraya falam do peso que é ter o nome Abdelmassih

por Cristiane Segatto
para Época

Filhos adotivos, Vicente e Soraya
  afirmam que eram tratados por 
Abdelmassih como funcionários
Onde está Roger Abdelmassih? O Brasil inteiro gostaria de saber. Condenado a 278 anos de prisão por crimes sexuais contra 39 pacientes, o ex-médico está foragido desde janeiro de 2011. Gostaria de saber onde ele anda, mas minha curiosidade sempre foi além. Desde que Roger desapareceu, me perguntava como estaria vivendo a família. O que o escândalo teria provocado na vida dos filhos e dos netos? O que significa carregar o sobrenome Abdelmassih? Como é viver diante de um constante julgamento social por descender de um foragido da Justiça?

Nas últimas semanas, pude ver essas perguntas respondidas. Numa longa entrevista, a bióloga Soraya e o médico Vicente, filhos de Roger que trabalhavam com ele na clínica, declararam muito mais do que esperava ouvir.

Soraya, 44 anos, e Vicente, 43 anos, são filhos da segunda mulher de Roger. Foram criados por ele e adotados quando já eram adultos. Trabalharam para o pai (“éramos tratados como funcionários”, diz Soraya) desde o tempo em que Roger tinha uma clínica modesta, apenas para tratar infertilidade masculina, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

A filha era secretária. Só mais tarde estudaria biologia e se tornaria uma peça central no laboratório da clínica de reprodução humana.Vicente foi o responsável por várias inovações adotadas por Roger. Eles dizem que nunca receberam o devido reconhecimento do pai.

Depois do escândalo, tentam reconstruir a carreira na clínica Embryo Fetus, do especialista em medicina fetal Sang Cha. Trabalham na Avenida Brasil, a poucos metros do casarão imponente que foi palco de um dos mais sórdidos episódios da história da medicina brasileira.

Eles dizem que metade das clientes veio da antiga clínica porque confiam neles, mas o movimento caiu expressivamente. Na clínica de Roger, faziam 100 ciclos de fertilização por mês. Agora, fazem 15. Recomeçar não está sendo fácil.

O escândalo

Soraya: O que aconteceu foi uma decepção muito grande. Pessoalmente, familiarmente, profissionalmente. Cada vez que sai uma notícia, parece que estão nos esfaqueando. Os netos o idolatravam e, de repente, viram isso tudo. Eu e meus colegas nunca vimos nada que sugerisse abuso ou estupro. Às vezes eram dez pessoas trabalhando na sala onde ficava a paciente. Mas se tanta gente o acusa de tanta coisa, não posso acreditar que nada aconteceu. Minha decepção é pensar que ele fez tudo aquilo no lugar onde eu e meu irmão dávamos nosso sangue.

Soraya: Quando uma bomba é publicada fico chateada. A cada notícia, exibem todo o histórico dele: estuprador, ex-médico. A gente encontra forças e vai levando. Nossa preocupação maior é com os filhos.

Vicente: Se meu pai fez aquilo tudo, tem que pagar. Vai ficar foragido até quando? Falei com ele a última vez no Natal de 2010. Disse pra ele não fazer nenhuma loucura. Não concordo com a fuga. Ele deveria se entregar e seguir o caminho dos recursos. Fazer o que a lei manda.

O pai

Soraya: Nunca pude bater nas costas dele e dizer: “E aí, pai? Tudo bem?”. Havia sempre um obstáculo. Era sempre tenso. Meu relacionamento com ele nunca foi de filha e pai. Sempre foi de funcionária e patrão. De certa forma, tudo que aconteceu foi uma libertação para mim. Se o escândalo não tivesse me deixado numa situação financeira tão difícil...

Soraya: Depois que tudo aconteceu, ele disse que já havia feito muito por nós. Disse que tinha pago escola, nos dado educação. Como se isso não fosse obrigação de qualquer pai... Como mãe, faço tudo pelos meus filhos.

Vicente: A lei da vida é esta: o homem casa com a mulher, tem os filhos e trabalha para educá-los. Mas meu pai achava que fez algo demais. É inacreditável.

Soraya: Meu pai tratava mal todos os filhos. Inclusive minhas irmãs, que são filhas biológicas dele (Juliana, Mirela e Karime são filhas de Roger com a mãe de Soraya e Vicente, Sonia Abdelmassih). A minha situação era mais complicada porque fui cobaia. Era a primeira. Quando minha mãe se casou com ele eu já tinha 10 anos. Tinha que ver meu pai biológico sem que o Roger soubesse. Se soubesse, ficava bravo. Era um martírio. Minha mãe ficava sob fogo cruzado. Minha vida era um inferno por causa da possessão, da rigidez dele.

Soraya: Quando meu pai ligava para saber da gente, o Roger fazia cara feia. Começava uma briga no jantar. Roger era um homem que, de repente, tinha uma filha de 10 anos nas mãos e nunca soube ser pai.

Soraya: Minha mãe ficava desesperada. Queria que o casamento desse certo. Amava o Roger. No almoço e no jantar, sempre tinha alguém ouvindo sermão. Mesmo depois de casada. Saíamos para jantar, e ele pegava no meu pé ou no do Vicente ou no dos meus ex-maridos. Sempre tinha um climão.

A mãe

Soraya: Minha mãe morreu em agosto de 2008, depois de sete anos de luta contra um câncer de mama. Foi um sofrimento muito grande. A metástase surgiu em 2005. Atingiu fígado, osso, pulmão. No final, o corpo inteiro. A primeira denúncia contra meu pai apareceu no jornal em janeiro de 2009. Em agosto, ele foi preso.

Vicente: Graças a Deus, minha mãe não viu nada disso. Ela sofreu por outras coisas, mas não por isso.

Soraya: Minha mãe era uma mulher fenomenal. Uma mulher simples, de coração bom. Sempre batalhou. Era uma leoa para os filhos. Em casa, sempre havia um climão. Meu pai brigava com os filhos por qualquer coisa. Ela ficava no meio, tentando nos proteger. Ela sabia que eu trabalhava com ele, tomava bronca o dia inteiro, e depois ainda tinha que sentar com ele no almoço de domingo.

O comportamento

Soraya: Eu e meu pai vivíamos tendo atrito no trabalho. Ele não falava palavrão. Era mais pesado que isso. Fazia caretas, mordia os lábios quando estava com raiva. Isso me arrebentava. Tinha mania de aparecer. Adorava isso. Eu e o Vicente não precisamos disso. Aqui na nova clínica o que interessa é a paciente ficar satisfeita e contar para as outras. O que vale é o boca a boca, o resultado da paciente. O Vicente é o oposto de meu pai. Odeia aparecer.

Soraya: Do mesmo jeito que muita gente se pergunta “como é que pode?”, a gente também se pergunta. Quando minha mãe faleceu, aí mudou tudo. Tinha acabado de morrer a mulher que era o vínculo de tudo. Nós e os netos tivemos que aceitar a nova mulher dele (Roger tem um casal de gêmeos de um ano com a procuradora Larissa Sacco) dentro da casa da minha mãe. Pouquíssimo tempo depois da morte dela.

Deve ser amor mesmo porque dinheiro agora ele não tem.

A ostentação

Soraya: O que mais o prejudicou foi a arrogância. As pacientes o descreviam como um cara arrogante. Ele era assim. Brigava com todo mundo, ostentava. Hoje não frequento mais os restaurantes que costumávamos frequentar, mas já vi maitres e garçons falando dele e chorando. Dava muitas gorjetas. Não sei por que fazia isso. Acho que pensava que assim seria bem tratado nos lugares.

Soraya: Para algumas pacientes, ele fazia alguns ciclos de inseminação de graça. O Roger ajudou um cadeirante que pedia dinheiro perto da clínica a comprar uma casa. Deve ter dado uns R$ 10 mil para o rapaz terminar de construir ou pagar uma casinha. Para ele, é Deus no céu e o Roger na Terra. É estranho, mas muita gente acha que ele foi um homem bom.

A clínica

Soraya: Meu pai sempre nos tratou como funcionários. Exigia muito. Cobrava mais da gente que dos outros empregados. Nunca tivemos regalia alguma. Ele nunca pensou na clínica como uma empresa familiar. Nunca pensou em fazer sucessores. Isso o matava.

Vicente: Comecei a fazer a transferência de embrião guiada por ultrasson. O Roger não fazia assim. Hoje todo mundo faz. Os meus resultados eram melhores. Isso depois de quatro anos que estava trabalhando. Antes ele não me deixava fazer nada. Eu só podia fazer ultrassom nas pacientes. Os médicos da área acham que o Roger não queria que ninguém crescesse.

Soraya: O Roger não queria que ninguém brilhasse mais que ele. Esse era o medo.

Vicente: Tive minha própria clínica durante um tempo. Queria sair da barra da saia dele. Resolvi montar uma clínica com a mesma capacidade técnica, mas com preços mais baixos, para outro público. O Roger dizia para eu ficar na clínica dele até o meio-dia e depois ir para a minha. Concordei, mas nunca conseguia sair nessa hora. Chegava na minha clínica às 18 horas. Ele me chamava para a clínica dele quando eu estava na minha.

Vicente: O Roger poderia ter parado de trabalhar cinco anos antes. Tinha outros médicos lá capazes de tocar o negócio. Mas não. Era centralizador. Não deixava ninguém crescer.

O dinheiro

Soraya: Nunca soubemos nada sobre o dinheiro dele. Ele não contava nada para os filhos. Tinha aquele “x” no final do mês que era o nosso salário. Ganhávamos um pouco mais que os salários do mercado. Faz tempo que não falamos com os advogados do meu pai. Não sei quem está pagando. Nós não somos.

Soraya: É tão estranho um filho não saber nada sobre a vida do pai, sobre os bens que ele têm. Não sabemos. Nunca nos deixou participar de nada. Ele escondia e se protegia inclusive da gente. Sei que a fazenda ele perdeu. O imóvel da clínica era alugado. Sobrou só a casa, única coisa que minha mãe deixou para os cinco filhos.

Vicente: A intimidade entre pai e filhos faltou. Muita gente acha que ele deve ter muito dinheiro no Exterior. Nunca fiquei sabendo de nada.

Soraya: Tinha um barco e perdeu. O que ele tinha ele perdeu.

Vicente: Nem o barco era dele. Ele pagava por mês. Só a partir de 2005 teve uma casa própria. Antes sempre foi alugada. Quando eu dizia que queria comprar um apartamento, ele respondeu que eu estava maluco. Sempre achou mais vantajoso alugar as coisas. Comprei um apartamento de 100 metros quadrados na Vila Olímpia. Iam começar a construir e ia pagar em 30 meses. Dei a notícia num jantar. Ele achou um absurdo. Depois disso, minha mãe o forçou a dar entrada num apartamento para cada filha e assumir as prestações do meu.

O caos financeiro

Vicente: Quando as denúncias começaram, ele começou a ficar cheio de dívidas. Todas as dívidas pequenas somadas, sem a receita da clínica, ficaram volumosas e ele começou a pedir os apartamentos das filhas para pagá-las. Todos os apartamentos foram consumidos pelas dívidas, menos o meu. Paguei um tempo e vendi o imóvel antes delas.

Soraya: Tudo foi muito custoso na nossa vida. Com a separação da minha mãe do primeiro marido (o ator Marco Ghilardi, pai de Soraya e Vicente, morreu de infarto aos 43 anos), às vezes faltava até o que comer em casa. Eu e o Vi batalhamos muito e, por isso, somos muito unidos.

Soraya: Sou separada. Tive dois casamentos. Meus ex-maridos são ótimos pais. Eles ajudam, pagam escola, são boas pessoas. Moro num apartamento de 200 metros no Real Parque com os quatro filhos. Estou pagando financiamento de 30 anos com grande dificuldade. Estar recomeçando aqui na clínica do Dr. Sang, sem pressão, é muito bom.

Soraya: Quem acha que pode cobrar dívidas da gente pode fazer o que quiser. Pode procurar em banco, em qualquer coisa que eu tenha. Não tem uma madrugada que não acordo pensando como vou fazer para pagar minhas contas no dia seguinte.

Soraya: Além de trabalhar aqui, eu, minha cunhada e minha filha mais velha montamos uma confecção. Vendemos camiseta, homewear. É só no boca a boca, sem loja. A gente deixa uma mala com as roupas e depois pega.

Íntegra da entrevista com Vicente e Roger

Roger Abdelmassih está foragido há um ano e sete meses. Nunca mais tiveram contato com ele?

Soraya – Nunca. Nem queremos.

Vicente – Falei com ele por telefone pela última vez no Natal de 2010. Ele disse que sumiria se tivesse de voltar para a cadeia (Roger ficou preso durante quatro meses). Não concordo. Deveria se entregar, seguir o caminho de recursos. Seguir o que a lei manda. Avisei que, se fugisse, eu não queria ter mais nenhum contato. Para mim, acabou.

Soraya – Ele não podia ter nos deixado como deixou. O Vicente tinha 1% da clínica. Meu pai o colocou como sócio para constituir outro tipo de empresa e pagar menos taxas. Fez questão de colocar uma cláusula que determinava que o Vicente não teria nenhum poder de administração. Sempre fomos tratados como funcionários. Ele deixou dívidas e processos trabalhistas, e a Justiça vem atrás de nós.

Onde ele pode estar?

Soraya – Ouvi dizer que estava num resort no Recife. E também que estaria no Líbano, comprando numa loja de grife. É bem típico dele. Acho difícil. Todo mundo sabe, e a polícia não sabe? Se ele se entregasse, aliviaria alguns dos meus sentimentos. Queria que ele cumprisse com a responsabilidade. Que desse a cara a bater como nós estamos. Nós e nossos filhos estamos cumprindo a pena no lugar dele. Somos insultados e nossas contas bancárias são bloqueadas. Não perdoo o que ele fez com a família.

É difícil acreditar que Abdelmassih nunca mais tenha procurado os filhos...

Soraya – As pessoas precisam entender que essa coisa de preocupação, de presença, de paternal nunca existiu. Não posso dizer que senti um alívio com a ausência dele, porque o escândalo me causou muitos problemas. Mas me sinto livre da pressão e da convivência difícil.

Vicente, o senhor tem um filho de 12 anos chamado Roger Abdelmassih Neto. Ele sofre agressões?

Vicente – Foi um pedido da minha mãe. Tenho mais esse problema para administrar.

Soraya – Quando o garoto nasceu, meu pai disse para minha cunhada: “Esse menino está carregando meu nome. Olha a responsabilidade que ele vai ter, hein?”.

Vicente – Um dia meu filho estava jogando futebol e disseram para ele ir procurar o vovô estuprador. Não quer falar sobre isso. É como se ele se ausentasse. Pensei em mudar o nome. Acrescentar o Ghilardi, sobrenome do meu pai biológico. Meu filho não quis. No Facebook, insultaram minha filha. Numa aula de atualidades, uma colega fez questão de levar o jornal com as notícias sobre meu pai.

Vocês sabiam do que acontecia na clínica?

Soraya – Nunca vi nada que sugerisse abuso ou estupro. Não tenho condições de julgar. Se tanta gente o acusa de tanta coisa, não posso acreditar que nada aconteceu. No centro cirúrgico, sempre havia vários profissionais com a paciente.


Mas ele tinha a chance de ficar sozinho com a paciente...

Soraya – Sim. Poderia entrar no quarto e ficar sozinho com ela, mas essa não era a rotina. Às vezes eu via uma paciente que chegava mais arrumada, de vestidinho decotado. Achava estranho, mas nunca vi nada além disso.

Como era o Roger pai?

Soraya – Rígido. Podava, ameaçava. Quando era criança, ele brigava comigo e depois dizia que ia falar para minhas irmãs não conversarem mais comigo (Juliana, Mirela e Karime são filhas de Roger com a mãe de Soraya e Vicente). Era o mesmo comportamento com todos os filhos. Não batia, fazia jogo psicológico. Uma vez me proibiu de sair do quarto durante um mês porque fiquei de recuperação na escola.

Vicente – Ele não sabia ser pai. Talvez agora esteja passando por um curso intensivo se estiver vivendo num lugar pequeno com gêmeos de 1 ano (em 2011, Roger teve um casal de gêmeos com a procuradora Larissa Sacco).

Vocês acham que ele tem alguma doença psiquiátrica?

Vicente – Não sei.

Soraya – Essa pergunta é difícil. Não sei. Na época do escândalo, li o livro Mentes perigosas, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa. Não que eu o esteja chamando de psicopata, mas comecei a entender o comportamento dele. Muitas coisas encaixavam. Se tivesse lido esse livro aos 13 anos, talvez tivesse compreendido muitas coisas.

O que encaixava?

Soraya – A falta de remorso. Aquele jeito de ele fazer as coisas e depois achar que não fez nada. Não tinha remorso algum. Foram várias condutas inadequadas com os filhos e com a mulher. Ao final da vida de minha mãe (Sonia Abdelmassih morreu de câncer em 2008, antes do escândalo), ele poderia ter estado mais presente. Só pensava em trabalho. Saí de casa aos 16 anos e fui morar com meu pai biológico (o ator Marco Ghilardi morreu poucos meses depois, de infarto, aos 43 anos). Minha vida com o Roger era um inferno por causa da possessão, da rigidez dele.

Alguma vez ele abusou sexualmente de você?

Não. Deus me livre.

Vocês estão passando por dificuldades financeiras?

Soraya – Estou com tudo bloqueado. Antes do escândalo, meu pai pediu para ser avalista de um empréstimo e assinei. Ele não está pagando. Há duas semanas, bloquearam R$ 2 mil que eu tinha na conta. Não posso dar cheque. Meu nome está no Serasa. Meu condomínio está atrasado.

Onde está o dinheiro do seu pai?

Soraya – Nunca usufruímos o dinheiro e ele não nos contava nada. O casarão da clínica era alugado. A fazenda ele perdeu. Quando bloqueiam nossos bens, não temos nada dele para indicar para a Justiça. Sobrou a casa, única coisa que minha mãe deixou para os cinco filhos.

Vicente – Quando estava preso, ele me pediu R$ 400 mil. Acho que era para pagar advogados. Respondi que não podia dar. Só tenho meu apartamento. Ele ficou bravo.

O casal de gêmeos que ele teve no ano passado foi gerado naturalmente?

Não sei. Nós não fizemos.

A mãe das crianças se envolveu com ele depois do escândalo?

Não sabemos quando foi o primeiro envolvimento, mas ela apareceu mais fixamente com ele em janeiro de 2009, logo depois da bomba. Nem Freud explica.

Vicente – Nesse caso, o amor não é apenas cego. É cego, surdo e mudo.





Médico acusado de estupros é condenado a 278 anos de prisão
novembro de 2010

Caso Roger Abdelmassih.


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