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terça-feira, 24 de julho de 2012

Igreja ajudou ditadura argentina no silêncio sobre assassinatos

Videla (à direta) contava com os 'bons ofícios" dos bispos
Sempre se soube do envolvimento da Igreja Católica com a ditadura argentina, mas agora há informação de que se tratou de uma efetiva colaboração para que os assassinatos do regime fossem mantidos na época longe do conhecimento público. E a informação é de fonte segura, do próprio ex-ditador argentino Jorge Videla, 87, presidente de 1976 a 1981 da Junta Militar que se apoderou do poder político.

O general Videla cumpre prisão perpétua pelo assassinato de 31 prisioneiros capturados pela repressão aos opositores do regime. Ele deu uma entrevista à revista argentina El Sur, de Córdoba, contando que os bispos ofereceram seus “bons ofícios” para informar os pais sobre a morte de seus filhos nos porões da ditadura, convencendo-os a não divulgá-la para o bem de todos.

Ou seja, os bispos — entre eles Pio Laghi e Raúl Primatesta — ajudaram no trabalho sujo do acobertamento dos assassinatos, diferentemente do que ocorreu com integrantes da Igreja Católica brasileira, que não deixou de denunciar as barbaridades cometidas pela ditadura militar daqui, entre 1964 e 1985.

Videla concedeu a entrevista ao jornalista Adolfo Ruiz entre os dias 26 de junho e 23 de dezembro de 2010. Ela foi publicada somente agora a pedido do ex-ditador, que achou por bem que isso ocorresse somente quando saísse da prisão de Córdoba, a UP1, para outra, de maior segurança para ele.

Na entrevista, Videla reafirmou alguns pontos de sua defesa na Justiça, entre os quais o de que os chamados “decretos de aniquilação” foram assinados pelo presidente interno Ítalo Luder com o propósito de instituir “uma licença para matar concedida por um governo democrático”.


Ao ser questionado se essa licença incluiria tortura, roubo de bebês e  o saqueio dos bens das vítimas,  Videla respondeu ter sido inevitável que muitos usassem o “poder outorgado ao Exército” em “benefício próprio”. 

A Argentina tem passado a limpo a história de sua ditadura militar (o Brasil, nem tanto). Mesmo assim as revelações de Videla sobre os “bons ofícios” dos bispos são indícios de que ainda há muita coisa a ser relatada.

Com informação do Página/12.

Pastor torturava à noite presos da ditadura e de dia falava da Bíblia.
junho de 2011

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