'Sottomaior comete falácia ao definir o que é ateísmo'

por Eli Vieira a propósito de comentários no post
Sottomaior responde a Gandra: fundamentalismo ateu é ficção

Quantos anônimos criativos por aqui. Vejamos:

Senhora Crente, você comete o mesmo erro do Daniel Sottomaior no texto, que é tentar definir ateísmo pela etimologia. O Caruê cometeu a mesma coisa, e ainda alegou que ignorar o "a" em "ateísmo" é uma falácia.

Em primeiro lugar, vou perguntar que falácia é essa. Filosofia da lógica é um campo de pesquisa filosófica sério. Inventar falácias que não existem é como falar de biologia e inventar que fungos são plantas.

Aqui está, para quem está aqui para debate de verdade, uma boa explicação do que é falácia etimológica:  http://goo.gl/iUNyl

Para aqueles que estão aqui para disputa de ego, recomendo não entrar no link acima e não tentar debater.

Definir ateísmo é um trabalho filosófico que já foi feito por diversos filósofos, entre eles Colin McGinn e Michael Martin. Obras filosóficas sobre ateísmo estão disponíveis para consulta, como o "Cambridge Companion to Atheism", que foi traduzido recentemente para o português.

Tentar apelar para a etimologia para definir ateísmo é como dizer numa aula de matemática que aprender cálculo significa aprender do que são feitas pedrinhas, pois "cálculo" significa literalmente "pedrinha" pela etimologia.

A falácia etimológica é um erro repetidamente cometido por ateus e foi cometido pelo Daniel Sottomaior neste texto, e estou criticando justamente para que aprendamos a nos munir de melhores argumentos; dado que quando definimos ingenuamente ateísmo como ausência de crença não teremos elemento algum para reclamar de Ives Gandra, muito menos acusá-lo de ser "ilógico". Repito, ilógico é usar a falácia etimológica, e acrescento, mais ilógico ainda é não saber rebater aos meus argumentos aqui, inventando que não incorrer na falácia etimológica é outra falácia (??!).

Rodrigo, eu falei em definirmos ateísmo como ausência de crença em deuses na condicional, obviamente não defino assim, e estava ilustrando como definir dessa forma torna incoerente o texto do Daniel.

O ateísmo é, sim, uma crença ou conjunto de crenças. E isso não é um demérito. Conhecimento também é um tipo de crença: a crença verdadeira e justificada. Eis link com uma definição de crença feita por filósofos: http://www.defnarede.com/c.html

E uma definição correta de ateísmo:

"Em sentido forte, é a crença na inexistência do divino em geral. A distinção é importante, pois muitas pessoas religiosas não são teístas (ver teísmo) nem ateístas, ou seja, acreditam em entidades sobrenaturais que não correspondem à ideia do Deus teísta, que é basicamente a ideia de Deus presente nas grandes tradições religiosas do Ocidente: judaísmo, cristianismo e islamismo."  http://www.defnarede.com/a.html

Lidar com definições e conceitos ignorando o trabalho dos filósofos é como lidar com animais e plantas ignorando o trabalho dos biólogos e lidar com ondas e partículas ignorando o trabalho dos físicos.

Uma gafe conceitual de um ateu definindo ateísmo é análoga a uma gafe de um enfermeiro procurando o baço ou o fígado no lado errado.

Ateísmo.