Anistia inclui Vaticano no relatório do desrespeito aos direitos humanos

A Anistia Internacional colocou o Vaticano em seu Relatório Anual, de 2011, entre os países que desrespeitam os direitos humanos. É a primeira vez que isso ocorre.

Publicado no dia 13 de maio, o relatório diz: "A Santa Sé não cumpriu suficientemente com suas obrigações internacionais referentes à proteção das crianças, especificamente com relação aos abusos sexuais”.

O Vaticano, um dos 157 países mencionados no relatório, é signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas.

O artigo 19 da Convenção estabelece que os países signatários "devem tomar todas as apropriadas medidas legislativas, administrativas, sociais e educacionais para proteger a criança contra todas as formas de violência física ou mental, dano ou abuso, negligência ou tratamento negligente, maus tratos ou exploração, incluindo o abuso sexual".

Também determina que os países têm de adotar medidas de prevenção ao abuso de crianças e denunciar os criminosos, ajudando as autoridades policiais e judiciais.

A Anistia afirma no relatório que o Vaticano não cumpriu a Convenção ao acobertar os sacerdotes pedófilos. “[Não tem havido] cooperação com as autoridades judiciais para levá-los à justiça e a não garantia da reparação adequada às vítimas."

A instituição reconhece que o papa Bento 16 tem se esforçado para combater os abusos, mas observa que “o direito canônico não inclui a obrigação de que as autoridades da igreja comuniquem os casos às autoridades civis para a investigação criminal. O segredo é obrigatório durante todo o processo".

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse que o sigilo, nesses casos, é necessário "para proteger a dignidade de todos os envolvidos".

O Vaticano já é candidato a figurar no relatório da Anistia do 2012, porque os reiterados apelos do papa para que padres contenham seus impulsos pedófilos aparentemente não estão apresentado os resultados esperados. Continuam surgindo denúncias contra sacerdotes violentadores, alguns deles, inclusive, de Roma, bem próximo, portanto, do papa, ao menos geograficamente.


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