Ivanilde afirma que acordou sofrendo abuso de Abdelmassih

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Paciente contou que se deparou com o
horror ao se despertar de uma sedação
A empresária Ivanilde Vieira Serebrenic (foto) é a segunda mulher que sai do anonimato para acusar o médico Roger Abdelmassih de abuso sexual. A primeira foi a fotógrafa Monika Bartkevitch, 43, que deu entrevista à Folha.

Ivanilde contou à Istoé que em 1999, quanto tinha 34 anos, submeteu-se a um tratamento de fertilização in vitro na clínica de Abdelmassih.

Ao despertar de uma sedação, ela se deparou com um pesadelo que a atormenta até hoje.

"Acordando, ainda grogue, vi que eu estava com o pênis do doutor na mão. Tentei me levantar, cheguei a sentar na maca. Aí, o dr. Roger abaixou o jaleco, disse 'calma, calma, calma' e saiu da sala. E fui chorando ao encontro do meu marido, que aguardava na recepção da clínica."

Ela diz que, em uma primeira tentativa de fertilização naquele mesmo ano, já tinha sofrido um assédio do médico, mas não de maneira tão explícita. Como queria muito ter um filho e o médico Abdelmassih era considerado o melhor do país em sua especialidade, ela voltou à clínica.

Ivanilde acabou se engravidando com o tratamento em outra clínica. Hoje ela é presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo) do Estado de São Paulo. É sul-matrogrossense e mora em Sorocaba, cidade paulista de 577 mil habitantes que fica a 90 km da capital.

Na segunda-feira, ela vai à Delegacia da Mulher e ao MP (Ministério Público) do Estado de São Paulo para registrar a sua acusação, juntando-se a outras mulheres que depuseram na condição de vítimas do médico. Na última contagem, elas eram 35.

Até sexta, 16, Adriano Salles Vanni, advogado do médico, queixava-se do fato de não saber dos nomes das ex-pacientes que fazem as acusações.

Pois agora o advogado já tem os nomes de duas mulheres, e provavelmente nos próximos dias o exemplo de coragem delas será seguido por outras.

Ainda que seja improvável que mais de 30 mulheres que não se conhecem estejam mentindo, a Justiça garante ao médico ampla direito de defesa. E é só a Justiça que condena. E é assim que ter de ser.

Mas, confirmadas as denúncias, este será o maior escândalo já registrado na história da medicina brasileira.





Ex-paciente desafia médico a negar na Justiça abuso sexual
março de 2009

Caso Roger Abdelmassih