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Sem religião e jovens lideram apoio à morte assistida no Brasil

Datafolha apura que 46% dos brasileiros apoiam o direito de decidir sobre o próprio fim — jovens, escolarizados e sem religião lideram o apoio


A divisão é quase simétrica, mas os números revelam quem está de cada lado. Uma pesquisa do Datafolha mostra que 46% dos brasileiros com 16 anos ou mais concordam que cada pessoa deve poder decidir sobre o próprio fim de vida — incluindo o momento e a forma de morrer.

Do outro lado, 51% discordam, com 40% fazendo isso de forma categórica. O racha não é aleatório: ele segue linhas precisas de geração, escolaridade e pertencimento religioso.


Entre os jovens
de 16 a 24 anos,
61% apoiam
a autonomia
sobre o fim
da própria vida,
o índice que
despenca para
35% entre quem
 tem 60 anos
 ou mais.

O padrão se repete em todos os temas investigados e aponta para uma mudança geracional em curso: quanto mais jovem, maior a disposição para reconhecer o direito individual de encerrar a própria existência diante de sofrimento extremo.

A escolaridade segue o mesmo vetor. Entre brasileiros com ensino superior, 52% apoiam o direito de escolher como morrer, ante 37% dos que concluíram apenas o fundamental. 

Na questão específica da eutanásia — definida como a aplicação, por um médico a pedido do paciente, de medicamento que provoca a morte —, o apoio sobe para 55% entre os mais escolarizados, contra 25% na faixa com menor instrução.

O dado mais expressivo vem dos sem religião. Entre os brasileiros que não se identificam com nenhuma fé, 62% são favoráveis à eutanásia, ante 37% dos católicos e apenas 29% dos evangélicos. 

No suicídio assistido — em que o paciente toma o medicamento por conta própria, fornecido pelo médico —, a distância é ainda mais pronunciada: 59% dos sem religião apoiam, contra 33% dos católicos e 25% dos evangélicos. 

A filiação religiosa é o maior preditor isolado de resistência à morte assistida.

A maioria da população, no entanto, ainda rejeita os procedimentos quando apresentados de forma explícita. 

De forma geral, 56% dos brasileiros se declaram contrários à eutanásia, e 60% são contra o suicídio assistido. 

Para 51%, um médico que ajuda um paciente terminal a morrer a pedido dele age de forma moralmente errada, e apenas 42% consideram a prática moralmente aceitável.

O suicídio assistido tem índice ainda menor de aceitação que a eutanásia: 35% favoráveis, contra 60% contrários. 

A diferença pode estar no grau de agência exigida do médico em cada procedimento e na percepção pública, ainda amplamente moldada por valores religiosos que equiparam a prática ao homicídio ou ao pecado.

Opinião sobre o suicídio assistido

Estimulada e única, em %
60% são contra o suicídio assistido, 35% são a favor
A FAVOR
35
Totalmente a favor
22
Parcialmente a favor
13
NEM A FAVOR, NEM CONTRA
2
CONTRA
60
Parcialmente contra
10
Totalmente contra
50
NÃO SABE
3

Opinião sobre a eutanásia

Estimulada e única, em %
56% são contrários a eutanásia, 39% são favoráveis
A FAVOR
39
Totalmente a favor
22
Parcialmente a favor
17
NEM A FAVOR, NEM CONTRA
2
CONTRA
56
Parcialmente contra
11
Totalmente contra
45

Opinião sobre decisão do fim da vida

Estimulada e única, em %
51% discordam que cada pessoa deveria poder decidir sobre o próprio fim da vida, 46% concordam
CONCORDA
46
Concorda totalmente
28
Concorda em parte
18
NÃO CONCORDA NEM DISCORDA
1
DISCORDA
51
Discorda em parte
11
Discorda totalmente
40
Não sabe
2

Com informação do Datafolha.

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