Não deveria ser surpresa que uma Igreja irrelevante para seus membros seja também irrelevante para a sociedade.
No catolicismo, é um pouco inferior a 7%: ainda baixo, mas muito melhor do que nas Igrejas da Reforma.
Este artigo foi publicado originalmente na Confronti,
Fulvio Ferrario
pastor, pesquisador da teologia de Lutero, Barth e Bonhoeffer e professor Faculdade de Teologia Valdese, em Roma.
Para simplificar e facilitar a coleta de dados, eu o irei descrever com referência à Alemanha: entre os membros da Igreja, que, portanto, pagam o respectivo imposto eclesiástico — que não é de todo insignificante —, a porcentagem de protestantes que frequentam os cultos regularmente oscilou, na última década, entre 2,4% e 3,5%.
pastor, pesquisador da teologia de Lutero, Barth e Bonhoeffer e professor Faculdade de Teologia Valdese, em Roma.
A descristianização da Europa já foi discutida diversas vezes. Dentro desse fenômeno, outro aspecto, pelo menos igualmente marcante, merece destaque.
No catolicismo, é um pouco inferior a 7%: ainda baixo, mas muito melhor do que nas Igrejas da Reforma.
Pode-se, portanto, afirmar que no cerne do processo de descristianização do continente europeu (em outros lugares, os números não são melhores do que os alemães: em vários casos, aliás, são ainda mais dramáticos) reside a autossecularização da Igreja, particularmente da Igreja protestante: ou seja, em termos mais explícitos, o seu suicídio.
Alguns observadores notam que, historicamente, a frequência à liturgia não desempenha o mesmo papel na espiritualidade protestante que no catolicismo: sempre houve uma paixão protestante pela santificação na vida secular; além disso, uma ênfase fundamental da educação cristã, incluindo a católica, na segunda metade do século XX, é precisamente a necessidade de evitar confinar o espaço para a vivência da fé aos limites da igreja.
O protestantismo, aliás, não possui nenhum "preceito" a respeito da frequência ao culto. Comecemos por este último aspecto. Para a sensibilidade da Reforma, falar de um "preceito" litúrgico tem o mesmo significado que falar de um preceito para comer ou beber.
Alguns observadores notam que, historicamente, a frequência à liturgia não desempenha o mesmo papel na espiritualidade protestante que no catolicismo: sempre houve uma paixão protestante pela santificação na vida secular; além disso, uma ênfase fundamental da educação cristã, incluindo a católica, na segunda metade do século XX, é precisamente a necessidade de evitar confinar o espaço para a vivência da fé aos limites da igreja.
O protestantismo, aliás, não possui nenhum "preceito" a respeito da frequência ao culto. Comecemos por este último aspecto. Para a sensibilidade da Reforma, falar de um "preceito" litúrgico tem o mesmo significado que falar de um preceito para comer ou beber.
Ouvir a Palavra de Deus, orar e cantar juntos pertencem simplesmente à existência da fé. Vão além do horizonte do imperativo; fazem parte dos elementos indicativos que estruturam a vida.
O fato de não se entrar no Reino simplesmente dizendo "Senhor, Senhor!" não é uma descoberta protestante, nem contradiz a centralidade da adoração.
O fato de não se entrar no Reino simplesmente dizendo "Senhor, Senhor!" não é uma descoberta protestante, nem contradiz a centralidade da adoração.
A verdade é que a grande maioria dos cristãos, especialmente os protestantes, considera normal estar, no domingo, em um lugar diferente daquele para o qual o Senhor os chamou.
A observação de que Deus pode ser encontrado em outro lugar é, nesse contexto, meramente instrumental e não merece resposta.
Não deveria ser surpresa que uma Igreja irrelevante para seus membros (isto é, para si mesma) seja também irrelevante para a sociedade.
O catolicismo romano pode contar com seu próprio aparato de propaganda e com a centralidade política e midiática do papado: se isso fomenta o testemunho do nome de Jesus é uma questão que não abordarei aqui, mas a chamada "visibilidade" certamente contribui significativamente.
O catolicismo romano pode contar com seu próprio aparato de propaganda e com a centralidade política e midiática do papado: se isso fomenta o testemunho do nome de Jesus é uma questão que não abordarei aqui, mas a chamada "visibilidade" certamente contribui significativamente.
A Igreja Evangélica só se tornou relevante na sociedade quando viveu sua fé cristã conscientemente. Por muitas razões, algumas delas muito boas, a forma de "propaganda" não é compatível com o protestantismo.
E o testemunho, que de fato existe, é uma questão completamente diferente. As consequências pastorais são óbvias: a tarefa primordial é evangelizar a própria Igreja.
E o testemunho, que de fato existe, é uma questão completamente diferente. As consequências pastorais são óbvias: a tarefa primordial é evangelizar a própria Igreja.
Lembro-me com pesar da expressão condescendente de um líder da minha Igreja a respeito desse diagnóstico: "Que visão limitada! Nossa paróquia é o mundo!".
Duvido que John Wesley, a quem o lema remonta, teria apreciado o uso ideológico de sua mensagem. O mundo (não apenas no sentido crítico-negativo que a palavra tende a assumir, por exemplo, no Quarto Evangelho) começa na própria Igreja.
Duvido que John Wesley, a quem o lema remonta, teria apreciado o uso ideológico de sua mensagem. O mundo (não apenas no sentido crítico-negativo que a palavra tende a assumir, por exemplo, no Quarto Evangelho) começa na própria Igreja.
Que a pregação cristã não se limita ao seu próprio território é uma afirmação tão óbvia que sua repetição enfática se torna banal: ai, porém, quando ela encobre a própria cegueira da Igreja diante da indiferença à celebração da Palavra.
Tal indiferença (como também é demonstrado sociologicamente: mas não há necessidade de estatísticas, o bom senso basta) é o prenúncio do abandono.
Tal indiferença (como também é demonstrado sociologicamente: mas não há necessidade de estatísticas, o bom senso basta) é o prenúncio do abandono.
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