Pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 1.200 brasileiros em março de 2026: 64% defendem que meninas estupradas de até 14 anos possam interromper a gravidez em hospital público — apenas 16% são contra
Uma pesquisa inédita mostra que 64% dos brasileiros defendem que meninas com menos de 14 anos grávidas por estupro possam interromper a gestação de forma legal e segura em hospital público. Apenas 16% são contra.
O levantamento foi feito pelo Ipsos-Ipec a pedido do Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a campanha Criança Não é Mãe.Foram ouvidas 1.200 pessoas em março de 2026, exclusivamente pela internet.
A maioria dos entrevistados defende que as vítimas tenham acesso a assistência psicológica imediata (89%) e a informações sobre como evitar infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (72%).
Apesar desse apoio, levantamento da ONG Plan International mostrou que apenas metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos após estupro recebeu informações sobre direito ao aborto legal.
O aborto é percebido pela maioria como questão de saúde pública: 50% indicaram que o tema deve ser debatido por órgãos da área da saúde. Instituições religiosas foram citadas por apenas 3%.
"Espero que a nossa pesquisa contribua para desconstruir falsas percepções e mostrar, de forma clara, que a população apoia esse direito", diz Letícia Ueda Vella, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde.
No Congresso, porém, a movimentação tem seguido na direção oposta. Em junho, o Senado aprovou projeto que derrubou resolução do Conanda com diretrizes sobre atendimento a crianças vítimas de violência sexual.
A pesquisa testou cenários hipotéticos. Diante de uma criança de 11 anos grávida por estupro com o caso na Justiça, 56% discordaram da atitude de uma juíza fictícia que tentou convencê-la a manter a gravidez.
Em outro cenário, 40% apoiariam o aborto legal se uma menina de 13 anos da família engravidasse de um adulto. O índice sobe para 51% entre jovens de 16 a 24 anos, e cai para 32% entre evangélicos.
Num terceiro cenário, 56% concordaram com a aplicação da lei que permite interromper a gestação no caso de filha com anencefalia fetal pressionada por discurso religioso a não abortar.
Os entrevistados subestimam o problema: apenas 35% identificaram meninas de até 14 anos como as principais vítimas de estupro.
Dos 87.545 casos de estupro em 2024, 60% das vítimas eram meninas com menos de 14 anos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Somadas adolescentes de 14 a 17 anos, 69,7% tinham menos de 18 |
Os dados revelam que os entrevistados reconhecem os efeitos da violência sexual sobre crianças e apoiam, de forma consistente, os direitos que a legislação já garante às vítimas de estupro.
A maioria dos entrevistados defende que as vítimas tenham acesso a assistência psicológica imediata (89%) e a informações sobre como evitar infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (72%).
Apesar desse apoio, levantamento da ONG Plan International mostrou que apenas metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos após estupro recebeu informações sobre direito ao aborto legal.
O aborto é percebido pela maioria como questão de saúde pública: 50% indicaram que o tema deve ser debatido por órgãos da área da saúde. Instituições religiosas foram citadas por apenas 3%.
"Espero que a nossa pesquisa contribua para desconstruir falsas percepções e mostrar, de forma clara, que a população apoia esse direito", diz Letícia Ueda Vella, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde.
No Congresso, porém, a movimentação tem seguido na direção oposta. Em junho, o Senado aprovou projeto que derrubou resolução do Conanda com diretrizes sobre atendimento a crianças vítimas de violência sexual.
A pesquisa testou cenários hipotéticos. Diante de uma criança de 11 anos grávida por estupro com o caso na Justiça, 56% discordaram da atitude de uma juíza fictícia que tentou convencê-la a manter a gravidez.
Em outro cenário, 40% apoiariam o aborto legal se uma menina de 13 anos da família engravidasse de um adulto. O índice sobe para 51% entre jovens de 16 a 24 anos, e cai para 32% entre evangélicos.
Num terceiro cenário, 56% concordaram com a aplicação da lei que permite interromper a gestação no caso de filha com anencefalia fetal pressionada por discurso religioso a não abortar.
Os entrevistados subestimam o problema: apenas 35% identificaram meninas de até 14 anos como as principais vítimas de estupro.
A maioria apontou, equivocadamente, adolescentes de 14 a 17 ou mulheres adultas.
No Brasil, 16.520 meninas engravidam por ano em média, segundo o Observatório Criança Não é Mãe. Entre os entrevistados, 39% não souberam estimar esse número, e a maioria citou valores muito abaixo da realidade.
Menos de 5% dessas meninas conseguem acessar o aborto legal anualmente, afirma o observatório. A lacuna entre apoio público e acesso real ao direito legal é o que a campanha busca expor.
"Ampliar a consciência sobre a situação ampliaria o apoio tanto ao acolhimento das vítimas como a políticas correlatas, como educação sexual", afirma Laura Molinari, codiretora do Nem Presa Nem Morta.
Com informação do Instituto Patrícia Galvão / Ipsos-Ipec / Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Plan International Brasil.
No Brasil, 16.520 meninas engravidam por ano em média, segundo o Observatório Criança Não é Mãe. Entre os entrevistados, 39% não souberam estimar esse número, e a maioria citou valores muito abaixo da realidade.
Menos de 5% dessas meninas conseguem acessar o aborto legal anualmente, afirma o observatório. A lacuna entre apoio público e acesso real ao direito legal é o que a campanha busca expor.
"Ampliar a consciência sobre a situação ampliaria o apoio tanto ao acolhimento das vítimas como a políticas correlatas, como educação sexual", afirma Laura Molinari, codiretora do Nem Presa Nem Morta.
Com informação do Instituto Patrícia Galvão / Ipsos-Ipec / Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Plan International Brasil.
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