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Brasil Laico abre caçada a pastores cabos eleitorais

Grupo nasceu em 2018 com quatro ex-evangélicos fundamentalistas de Recife e mira pastores que transformam cultos em comício de extrema direita


A Associação Movimento Brasil Laico, organização criada por ex-evangélicos fundamentalistas em 2018, intensificou a ofensiva jurídica contra pastores que transformam cultos em palanques eleitorais.

A entidade lançou em março de 2026 a campanha eleições laicas, formalizada por resolução interna, para fiscalizar e levar ao Ministério Público Eleitoral líderes religiosos que atuam como cabos eleitorais.




O avanço dessa fiscalização é uma vitória do Estado laico contra um projeto político-religioso que instrumentaliza púlpitos e fiéis em favor da extrema direita.

O caso mais recente envolve o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, denunciado em 4 de maio à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio por culto realizado no domingo anterior.

Durante a celebração na Penha, Malafaia afirmou ser o tempo de apoiar Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ, para a Presidência, e conduziu oração nominativa pelos pré-candidatos presentes.

Cláudio Castro, ex-governador do Rio, Marcelo Crivella, deputado federal, Sóstenes Cavalcante, deputado federal, e Douglas Ruas, presidente da Alerj, também foram citados na representação ao MPF.

Leandro Patricio da Silva, diretor-presidente da associação, assinou o documento que pede inelegibilidade por oito anos, multa máxima e apuração de desvio de finalidade da igreja pela Receita Federal.

Dias antes, em 7 de abril, a entidade já havia acionado a Procuradoria Eleitoral de São Paulo contra Flávio Bolsonaro e o pastor José Wellington Bezerra da Costa, da Convenção Geral das Assembleias de Deus.

No culto realizado em 6 de abril, o senador ajoelhou diante de cerca de 40 pastores e recebeu oração pública para que Deus o levasse a ser presidente da nação, conforme registro divulgado pelo próprio Flávio.

A Procuradoria-Geral Eleitoral arquivou essa representação alegando ausência de pedido explícito de voto e proteção pela liberdade religiosa, decisão que o movimento contestou por recurso em 12 de maio.

A associação invoca a teoria dos equivalentes semânticos, reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, segundo a qual o pedido implícito de apoio eleitoral configura propaganda antecipada vedada por lei.

O Código Eleitoral, na Lei 9.504/97, proíbe propaganda em templos como abuso de poder econômico, e a Lei das Eleições veda doação de entidades religiosas a partidos e candidatos sob qualquer forma.

Fundado por Leandro Patricio, Ian Jorge, Francisco Barbosa e Jefferson Silvestre, quatro amigos pernambucanos que romperam com o fundamentalismo evangélico, o movimento reúne hoje 50 associados em onze estados.

A estratégia da entidade combina denúncia nas redes sociais, representações ao Ministério Público e articulação no Conselho Nacional de Direitos Humanos, onde integra subcomissão sobre laicidade.

Cidadãos podem protocolar denúncias por conta própria, sem necessidade de advogado, ou encaminhar provas pelo site da associação para que o setor jurídico ingresse com a representação eleitoral cabível.



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