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Estado nigeriano desafia tribunal e mantém pena de morte por blasfêmia

Tribunal regional manda Nigéria revogar leis que punem com morte ofensas à religião e estado de Kano se nega, mesmo com risco para ateus locais


O Tribunal de Justiça da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas) decidiu em 9 de abril que as leis de blasfêmia da Nigéria violam tratados internacionais.

A corte determinou que o país revogue ou altere o artigo 210 do Código Penal de Kano e o artigo 382(d) da Lei Penal Sharia de 2000, ambos criminalizam blasfêmia com pena de morte.


O ateu
Mubarak
Bala só foi
libertado
após reação
internacional

O estado, de maioria muçulmana, rejeitou a decisão. Ibrahim Waiya, comissário de Informação de Kano, afirmou que o governo local não cederá a pressões externas e manterá as leis religiosas.

Segundo Waiya, "as leis refletem a vontade do povo" e estão "fundamentadas em crenças religiosas e morais". O comissário invocou o sistema federativo nigeriano para defender o poder estadual.

O caso ganhou atenção internacional com a prisão de Mubarak Bala, ateu nigeriano e presidente da Associação Humanista da Nigéria, em 2020, por blasfêmia e perturbação da paz pública.

Bala foi condenado a 24 anos de prisão após se declarar culpado de 18 acusações ligadas a uma publicação no Facebook. Só foi libertado em janeiro deste ano, após forte pressão global.

A sentença do tribunal regional resultou de ação movida pelo grupo Expression Now Human Rights Initiative, que contestou a constitucionalidade das normas penais religiosas de Kano.

Para o pensamento secular, a resistência do estado nigeriano expõe um problema central: quando a fé é elevada acima da lei civil, vidas humanas viram moeda de troca por dogma religioso.

Pensadores como Sam Harris e Richard Dawkins há anos alertam que o privilégio religioso converte críticas legítimas em crimes capitais, sufocando a liberdade de expressão e o livre exame.

A decisão do tribunal africano cria precedente importante, mas o desafio é fazê-la valer. O federalismo nigeriano dá aos estados poder de legislar sobre moral e religião sem revisão federal.

A Nigéria é a única defensora no processo, mas alega não ter como interferir em leis estaduais. O caminho seria reforma política, esbarrando em interesses eleitorais de regiões conservadoras.

Enquanto leis de blasfêmia persistirem, ateus, agnósticos e dissidentes religiosos seguirão sob risco real de prisão, agressão ou execução em nome de uma suposta ofensa ao sagrado.

Com informação de Atheist Republic.


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