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Movimento Laico aciona MP contra a atuação da Universal na PM do Paraná

Entidade que defende a laicidade de Estado cita ilegalidades cometidas por forças policiais


O Movimento Brasil Laico (MBL) protocolou nesta semana uma representação jurídica no Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR). 

O documento pede a interrupção das atividades da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) nos quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

A ação ocorre após investigações jornalísticas indicarem que o programa "Universal nas Forças Policiais" (UFP) atua como uma capelania paralela.

Leandro Patricio da Silva, diretor-presidente do MBL, afirma que civis sem vínculo jurídico usam o momento do hasteamento da bandeira para pregar teologias.


Pela Constituição,
não pode haver
envolvimento 
entre qualquer
entidade de 
Estado com 
instituição
religiosa

Silva, doutor em História Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), relata que pastores têm livre acesso às unidades, realizam cultos em horário de serviço e participam de ritos oficiais. 

Segundo o historiador, isso caracteriza um aparelhamento da força de segurança que pertence a todos os cidadãos.

A Diretoria de Gestão de Pessoas da Polícia Militar do Paraná informou, via Lei de Acesso à Informação, que não existem capelães da Universal cadastrados formalmente.

A Portaria 1224/2019 exige curso de teologia e três anos de atividade pastoral para o voluntariado religioso.

O cadastramento é obrigatório para quem deseja prestar assistência espiritual nos batalhões. Mesmo sem o registro, registros em redes sociais mostram que capelães da igreja estiveram ao menos 145 vezes em quartéis paranaenses em 2025. Policiais dizem que o número passa de mil visitas.

Em Curitiba (PR), o 13º Batalhão de Polícia Militar e o de Patrulha Escolar Comunitária são os mais visitados. 

Agentes ouvidos sob anonimato afirmam que as orações ocorrem durante a passagem de serviço, momento que inclui inspeção de viaturas e ritos militares obrigatórios.

A representação no Ministério Público detalha que policiais que não participam dos atos religiosos sofrem represálias. 

As punições incluem transferências para postos indesejados, mudanças arbitrárias em escalas de folga e marginalização hierárquica por parte dos comandos.

O portal Paulopes já mostrou casos semelhantes de mistura entre religião e armas, como no texto sobre o "Gideões 300", que associa táticas militares a pregações evangélicas. Essa sintonia entre valores de guerra e passagens bíblicas facilita a entrada da igreja no meio militar.

Alessandro Pereira, pastor responsável pelo UFP no Paraná, afirma em vídeos que o Estado é laico, mas as pessoas não. 

Pereira é presença constante em eventos com o secretário de Segurança Pública, Hudson Teixeira, e com o governador Ratinho Júnior (PSD-PR).

A Polícia Militar também utiliza sedes da igreja para eventos oficiais. Em novembro de 2025, o encerramento do curso de Motociclista Policial ocorreu no auditório do Templo Maior da Universal. Em agosto, milhares de militares foram homenageados no local pelo Dia do Soldado.

Clóvis Gruner, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a igreja ocupa lacunas deixadas pelo Estado. 

A falta de apoio psicológico e as rotinas exaustivas fazem com que o café da manhã e o acolhimento dos pastores ganhem as tropas.

A Diária Especial por Atividade Extrajornada Voluntária (DEAEV) aumentou o cansaço dos agentes, que trabalham nos dias de folga para ganhar 180 reais por seis horas. 

Gruner destaca que a igreja se aproveita dessa exaustão para introduzir sua visão de mundo no imaginário policial.

O Departamento de Comunicação da Universal informou que o UFP é um programa social de apoio emocional e respeita a opção religiosa dos profissionais. 

A instituição afirma que a cessão de templos para reuniões técnicas ocorre sempre que solicitada pelos comandos das corporações.

Com informações de Plural, Redes Sociais UFP, Paulopes e Governo do Paraná.



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