Sou de São Paulo, tenho 35 anos e sofri abuso de João de Deus

"Em 2015 fui pela segunda vez à cidade de Abadiânia (GO) buscar ajuda para diversos problemas de saúde meus e de familiares. Quando entrei na fila para passar com a entidade, faltavam mais ou menos umas seis pessoas na minha frente. Ele me viu e, a partir daí, não tirava o olho de mim.

As pessoas que paravam em sua frente, ele fazia sinal com a mão para que fossem logo. Na minha frente tinha uma senhora que provavelmente tinha um câncer, pois estava careca. Na sua vez, ela ajoelhou, agradecendo fervorosamente, e ele praticamente a empurrou para que fosse logo. Então foi minha vez.

Ele pegou na minha mão e perguntou no que poderia ajudar. Eu disse que tentaria resumir mas que, no geral, era depressão. Não me sentia pertencente a esse mundo, tinha pensamentos suicidas... então ele falou para eu 'falar com o médium João' em sua sala.

"Então ele
 colocou o pênis
para fora"

Fui feliz da vida. 'Que legal poder ter ajuda assim tão de perto', pensei. Mas, por diversas vezes, não pude ser atendida. Hoje eu agradeço por isso, porque assim vi cenas estranhas acontecerem: ele tratando mal pessoas que o esperavam, o filho dele trazendo bolos de dinheiro e ele colocando no bolso... Isso me intrigava, mas eu estava confiante. No último dia, consegui passar na sala dele, no horário de almoço.

Quando entrei, ele perguntou o que me trazia ali e eu disse poucas palavras. Na verdade ele nem ouviu, já pediu para eu ficar em pé, disse que iria fazer uma limpeza em mim. Fiquei de costas para ele e ele passava a mão no meu tronco, dizendo que estava limpando os chacras.

Até aí eu pensava que tudo bem. Era um ser tão divino, nada a ver eu desconfiar. Foi quando ele me virou, pediu que colocasse a mão na barriga dele e fizesse um movimento, como se fosse uma massagem. Pensei que também tudo bem. Se o super médium João de Deus pediu, beleza.

Ele me pedia pra olhar nos olhos dele, mas eu não conseguia. Fiquei de olhos fechados, talvez porque algo dentro de mim estava muito desconfortável com aquilo tudo. Então ele colocou o pênis para fora e falou, segurando meu braço: 'Olha como você me deixa'. Disse que tinha sonhado comigo, que me viu nos sonhos.

Eu estava em estado de torpor, algo não me deixava me mover. Parece coisa de filme, mas eu estava hipnotizada.

Ele continuou com uma lorota: 'Nos conhecemos de outras vidas, nós temos uma história'. Eu dei uma risada sem graça e disse: 'Eu considero você como um pai'. Não conseguia me mover.

Nisso, pessoas batiam na porta que ele havia trancado. Ele sentou e pediu que eu abrisse a porta. Então entravam pessoas pra agradecer, o pessoal que trabalhava na casa vinha com questões, e eu pensava: 'agora vou embora'.

Falava pra ele: 'vou sair, você fica à vontade'. Ele dizia pra eu sentar, eu obedecia. Pediu almoço para mim, almocei com ele. Pediu pra eu trancar a porta. Eu fui lá e tranquei! Algo em mim sabia que não estava certo, mas eu só conseguia obedecer.

Ele então falou que iria fazer a limpeza de novo. Nisso eu falava dos meus problemas de saúde, da minha família... e ele mal respondia.

De novo, o pênis, a lorota: 'Nos conhecemos' e 'Quando você volta aqui de novo?'.

Então ele pegou minha mão para eu 'ver como ele estava por mim'. Meu marido estava lá fora, ele falava para eu não contar nada.

Pessoas batiam à porta, ele mandava eu abrir, eu dizia, 'vou te deixar a vontade'. A fila pra falar com ele estava enorme. Ele não deixava, me mandava sentar, eu sentava. Ele me falava o quanto eu era corajosa, o quanto eu era forte. Eu ficava de olhos fechados.

No final, ele me presenteou com uma esmeralda. Já estava na hora do atendimento começar. Ele falou para eu ir pela porta que ele ia para o centro. Ele me falou: 'Queria te ver como te vi no sonho'.



Na sala da corrente, sentei numa cadeira na frente. Ele entrou, falou como um macho querendo impressionar sua presa. Falou um monte de coisas. Eu estava anestesiada. Queria sair, mas algo me segurava. Era tão confuso que no fim eu pensava que estava louca por pensar mal dele. Ele segurou bem forte minha cabeça, pensei: 'nossa, ele está me ajudando'.

Quando vinha uma entidade, pedia pra falar comigo. Dizia que me protegia, que cuidava de mim e que não era pra eu comentar com ninguém o que ocorria ali. Me chamou nas cirurgias. Eu segurava a bandeja, ele enfiava coisas no nariz das pessoas, sempre com um ar de macho alfa, me mostrando seus feitos.

Eu tinha comentado que sentia muita dor no joelho, pedi para ele fazer a cirurgia em mim. No meio do palco, ele falou que nunca iria me cortar, que eu estava curada. Um show. Pessoas de muletas, que ele jogava no chão, e a pessoa entrava na sala sem muleta. Sempre me mostrando, querendo me mostrar tudo. Isso foi na sexta-feira, último dia de trabalhos na Casa.

Somente na quarta-feira seguinte, já em casa, eu acordei. Não dá pra explicar como ele fez isso, como ele me segurou na energia e me deixou em torpor. Só sei que fiquei alguns dias nesse estado. Quando acordei, foi porque uma voz gritou bem alto dentro de mim: 'Acorda!'.

Tinha uma foto dele no meu criado mudo. Na hora eu queimei. Tudo o que tinha dele eu dei ou joguei fora, inclusive a esmeralda.

Logo em seguida ele foi internado para retirar um câncer. Como ele não se cura? Precisa de médicos? Eu só desejava que ele morresse. E que morresse com muita dor. Ele não morreu. Está aí pra ser feito justiça, aqui na Terra. A justiça tem que ser feita."

Depoimento concedido ao jornal "O Globo".



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