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Charb queria que ateus saíssem do armário contra islã da morte

"Eu sou ateu e que se foda"

Charb era como Stéphane Charbonnier (foto) assinava seus cartoon no jornal satírico francês Charlie Hebdo, do qual foi diretor de 2009 a 2015. Ele foi um dos assassinados no ataque de extremistas islâmicos à redação do jornal, em 7 de janeiro de 2015. O texto abaixo é um trecho de um livro de Charb, “Pequeno Tratado de Intolerância”, publicado no Brasil pela Planeta. Nele, o autor diz que o medo é a arma mais poderosa dos fanáticos islâmicos.

"Eles dão medo e sabem disso. Nosso medo é a sua razão de ser"

"Eles nada são, mas dão medo. São poucos, mas estão em tudo que é lugar. O islã, na França, é ele: o barbudo desgrenhado, fantasiado de tubo de pasta de dente. São quantos os espantalhos desse tipo, fazendo olhar de maluco assim que veem uma câmara de televisão? Cem? Duzentos? Há na França mais câmeras de televisão do que muçulmanos extremistas. Inclusive mais canais de TV do que tarados peludos soltando perdigotos na língua do Profeta para dizer que é preciso degolar judeus.

Livro critica
os amarelões
Pois é o que eles gritavam, outro dia, na praça do Trocadéro. Eles dão medo e sabem disso. Nosso medo é a sua razão de ser. Nosso medo é a verdadeira religião deles. É o que os alimenta. Bebem nosso suor frio como vampiros bebem sangue de suas vítimas. Nosso medo é cúmplice desses imbecis.

A velhota que leva o cachorrinho para fazer pipi tem medo de que o ogro islamita degole Kiki. Diga-se, é verdade, que Kiki tem o pelo frisado como um carneirinho. Não é o Parkinson que agita a vovó, é o medo. E a estrela do “show business” cultural muçulmano (isso, você mesma) que diz nos bastidores dos programas de televisão ter medo de que percebam seu ateísmo é pior que um extremista religioso. Tem mil vezes mais audiência, tem mil vezes mais poder, mas se caga de medo. Medo de quê? De virar alvo desses papais noéis do apocalipse?

Se todos os amarelões desse tipo saíssem debaixo de suas camas para afirmar seu ateísmo, ou pelo menos sua laicidade, eles se dariam conta de que a relação de forças está a seu favor. Enquanto os crentes rezam em vão ao Senhor há milênios para que Ele lhes dê um cérebro, basta aos ateus pronunciarem a máxima “sou ateu e que se foda” para que o islã da morte desapareça da superfície da Terra. Como mágica! Tentem!

E agora se encontrou um novo palavrão para assustar: “salafista”. A expressão “extremista religioso” já estava batia demais e não assustava o bastante. Mas “salafista” causa pânico! Soa mais ou menos como doença incurável ou prática sexual não confessável. Tem-se a impressão, hoje em dia na França, de que basta tirar uma pedra do lugar para se encontrar em ninho de salafistas. Alguns até se fantasiam de salafistas só pelo prazer de descobrir a própria existência no olhar apavorado do burguês francês. Não vão à mesquita, não rezam, não acreditam, bebem muito, mas se vestem com todos os aparatos que possam lhes garantir mais espaço nas calçadas. Pura verdade!

Havia também os que se fantasiavam de punks no início dos anos 1980 para conseguir o mesmo efeito. Na intimidade de seus quartos, no entanto, ouviam Claude François cantar, como todo mundo... Peneirados os falsos crentes, restará apenas um punhado de malucos de verdade. Os malucos de verdade podem ser perigosos, mas do total de malucos de verdade devem-se subtrair os incapazes, os zero à esquerda em qualquer assunto, os gargantas, os infantiloides e os pernetas. Se os camundongos que sobrarem tomarem de assalto a gigantesca República e se esta fugir gritando “mamãe”, teremos perdido. O Estado laico tem o traseiro grande o bastante para se sentar em cima desses vermes e esmagá-los.

É o medo que dá importância a esses lamentáveis fascistoides. E o ridículo, ao contrário do que se diz, acaba de vez co eles.

Você há de concordar, é preciso bater forte na cara de todos os que têm medo da sombra da barba de um salafista, para que acordem desse pesadelo. Amém."

Com tradução de Jorge Bastos.





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