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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Ateus islandeses viram fiéis do zoísmo para driblar imposto

Agnóstico, líder vai devolver
 dinheiro do imposto compulsório 

do Diário de Notícias
jornal português

Mais de 3100 islandeses, quase 1% da população da ilha, registaram-se nas últimas semanas como seguidores dos antigos deuses e deusas da Suméria, como forma de protesto. Na realidade, os islandeses estão se convertendo ao zoísmo, uma religião em que até o porta-voz se afirma agnóstico e que promete devolver os impostos religiosos que os cidadãos são obrigados a pagar.

O fenômeno acontece porque na Islândia a população é obrigada a registrar a sua religião e parte dos impostos é encaminhada para as respetivas igrejas. Mas não há exceção para ateus e pessoas sem religião, e eles, mesmo assim, tem de pagar o imposto. "Não há outra opção", declarou Sveinn Thorhallsson, porta-voz da religião. "Quem não está afiliado ou pertence a religiões não registradas paga impostos mais altos".

Na Islândia cerca de 75% das pessoas estão registadras na Igreja Evangélica Luterana, mas há mais de 40 outras religiões que se qualificam para as "taxas paroquiais", segundo o jornal The Guardian. A contribuição de cada cidadão para as instituições religiosas, segundo o orçamento do próximo ano, ronda os 75 euros.

O zoísmo foi aceite como religião no país em 2013 e baseia-se na adoração dos 13 principais deuses e deusas da antiga Suméria, uma civilização que se localizava no atual Iraque e Koweit, pelo menos 3500 anos antes de Cristo. O número de seguidores já supera o de muçulmanos.

No site da religião caracteriza-se o zoísmo como "uma plataforma para os membros porem em prática a antiga religião da Suméria", mas também como uma organização que defende totalmente a liberdade religiosa e a liberdade de não ter religião. "O objetivo principal da organização é que o governo revogue qualquer lei que garanta mais privilégios, financeiros ou outros, a organizações religiosas do que a outro tipo de organizações".

Os zoístas pedem ainda que o registro da religião de cada cidadão seja abolido. Quando estas condições forem aceites o zoísmo deixará de existir, garante o texto. Numa sociedade moderna "o Estado não deveria registrar as crenças das pessoas", disse Thorhallsson ao The Guardian.

Há, no entanto, oposição. Stefán Bogi Sveinsson, membro do Partido Progressista, defende que o zoísmo não é uma religião. "Ninguém se registrou na organização para praticar o zoísmo ", explica. "As razões para se registrarem são apenas duas: para poupar dinheiro ou protestar contra a legislação sobre organizações religiosas". Além disso, o fisco islandês disse a  um jornal que se a religião reembolsar os seguidores terá depois de pagar impostos sobre essa transação.

O porta-voz zoísta, que se declara agnóstico, garante que, apesar de tudo, há de fato algum interesse pela antiga civilização Suméria. "Organizámos uma cerimónia com leituras de poesia suméria. Agora estamos a planejar outra."





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