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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pós-cristãos fazem secularismo avançar nos Estados Unidos

por Cathy Lynn Grossman
para Religion News Service

Diminui cada vez mais número
de frequentadores de igrejas
Se você ficaria desanimado em saber que um em cada cinco norte-americanos (20%) "não tem religião" - pessoas que se dizem sem identidade religiosa específica - prepare-se.

Como soariam 38%?

Isso é o que o pesquisador de religião David Kinnaman calcula quando ele acrescenta "os sem-igreja, os que nunca pertenceram a uma Igreja e os céticos" aos "sem afiliação religiosa".

Ele chama a sua nova categoria de "sem Igreja", o mesmo título que Kinnaman deu ao seu novo livro. Por sua contagem, cerca de quatro em cada 10 pessoas que vivem no território continental dos Estados Unidos são, na verdade, "pós-cristãs" e "essencialmente seculares na crença e na prática".

Se forem perguntados, os "sem igreja" provavelmente marcariam a opção "cristão" em uma pesquisa, mesmo que eles não não tenham chegado perto de uma porta de igreja em anos.

Kinnaman, presidente do Barna Group com sede na Califórnia, agora coloca-os nessa nova categoria com base em 15 categorias de identidade, crença e prática em mais de 23 mil entrevistas realizadas em 20 pesquisas.

O estudo analisou o atendimento e a participação em serviços religiosos, pontos de vista sobre a Bíblia, Deus e Jesus, entre outros, a fim de ver se as pessoas estavam realmente ligadas à vida cristã de uma maneira significativa ou mais por hábito ou história pessoal.

Ed Stetzer, presidente da LifeWay Research, uma vez chamava de "nominais" as pessoas unidas apenas pelo nome - "cristãos de estatísticas". Eles não queriam cortar os laços com os seus pais ou percorrer todo o caminho em direção ao ateísmo, Stetzer disse, "então eles apenas se diziam 'cristãos', pois era a categoria padrão de sua herança".

Kinnaman agora tem os números para comprovar isso.

"Estamos longe de nos tornarmos uma nação ateia", disse ele. "Há dezenas de milhões de crentes ativos nos Estados Unidos atualmente. Mas o muro entre os que vão à Igreja e os sem Igreja está crescendo mais e mais impenetrável à medida que mais pessoas não têm memória muscular do que significa ser um frequentador regular de uma casa de culto".

Como essas pessoas pensam, rezam e usam seu tempo está deslocando-se de uma perspectiva baseada na fé. Como resultado, uma visão de mundo sem igreja ou secular "está se tornando sua própria força social".

Quando os cientistas políticos analisam os resultados das eleições, eles verificam que a frequência à Igreja é cada vez menos útil para prever ou avaliar as atitudes sociais, culturais e políticas. Se você não estiver lidando com pessoas de convicção forte, não há muito impacto.

Stephen Mockabee, professor associado de ciência política na Universidade de Cincinnati, comparou a frequência à Igreja com medicação: "Não é só a droga, mas também a dose que importa".

O sem Igreja podem ser classificados em diversas tribos, de acordo com Kinnaman.

Cerca de um terço (32%) ainda se identificam como cristãos. Eles dizem acreditar em Deus, mas eles não têm certeza quanto às suas conexões religiosas. Kinnaman chama-os de "cristianizados, mas não muito ativos".

Isso pode incluir Katie West de Mount Sterling, Kentucky, ou Mike Wilson, de Webster City, Iowa.

West mantém o rótulo de cristã, porque, disse ela, "Eu sigo ou pelo menos tento seguir os ensinamentos de Cristo". Ela evita os serviços religiosos "a menos que eles sejam parte de um casamento ou funeral", mas se considera "uma pessoa espiritual, sem olhar para a Bíblia".

Wilson trabalha como webmaster para uma Igreja Luterana, mas ele não consegue se lembrar da última vez que participou de um culto de adoração ou de quando foi que leu a Bíblia. Ele marca a opção de "cristão" se é perguntado em uma pesquisa, mesmo que ele se identifique mais com os budistas e com outras filosofias orientais.

"A religião é o ponto de partida para a iluminação, mas em algum ponto você tem que dar aquele salto de fé e fazer o seu relacionamento pessoal com Deus exatamente isso - pessoal", disse Wilson. "Então, se você consegue encontrar uma religião que engloba isso melhor do que o cristianismo, vou chamar-me isso".

Outras "tribos" entre os sem igreja incluem:

• 25% são ateus ou agnósticos. Kinnaman os chama de "céticos". E suas fileiras têm mudado nas últimas duas décadas. O percentual de mulheres é de até 43%, comparados com 16% em 1993. Altamente educadas e mais mainstream do que antes: "este grupo está aqui para ficar", disse ele.

• 27% pertencem a outros grupos religiosos, como judeus ou muçulmanos, ou consideram-se espirituais, mas não religiosos.

• 16% são cristãos - pessoas com uma relação comprometida com Cristo, disse Kinnaman - mas que não vão mais à Igreja.

Kinnaman não prevê nenhuma mudança de rumo. Ele concluiu: "quanto mais nova a geração, mais pós-cristã ela é":

• Geração Y e Z - milenares - (nascidos entre 1984 e 2002): 48%
• Geração X (nascidos entre 1965 e 1983): 40%
• Geração Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964): 35%
• Mais velhos ou geração silenciosa (nascidos antes de 1946): 28%

Karen King, 52 anos, programadora de horários para uma agência de trânsito local em Mount Vernon, Washington, sabe que seu Estado está entre os menos religiosos da nação. No entanto, entre as multidões seculares, há uma abundância de fieis.

"Eu sei porque eu programo as pessoas para chegar às Igrejas através do sistema Dial-A-Ride [disque uma viagem]. Deve haver 40 ou 50 Igrejas na região de Mount Vernon e proximidades".

E King não vai a nenhuma delas.

Neta de um pastor presbiteriano, King diz que faz mais de 30 anos que ela não vai à Igreja para um culto de adoração. Sua filha, uma milenar e pagã, não vai também.

Embora King ainda pense em si mesma como uma cristã, ela fica com um pé atrás quando se trata de marcas denominacionais. Em vez disso, ela afirma que apenas tenta mostrar o amor.

"Eu faço atos aleatórios de bondade. Eu falo com Deus, quando eu acho que preciso. Eu acho que tenho uma boa conexão com o Deus Mãe e Deus Pai."






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