Indicação de Feliciano cria impasse em comissão da Câmara

Assessoria do deputado afirmou que ele
saiu da sessão com 'lágrimas nos olhos'
Deputados da Comissão de Direitos Humanos e das Minorias, da Câmara, adiaram para amanhã (7) a escolha do seu novo presidente. A expectativa era de que a comissão confirmasse hoje o nome de Marco Feliciano para o cargo, que é uma indicação do partido dele, o PSC. Até hoje, há só um candidato ao cargo.

Feliciano, que também é pastor evangélico, tem sido apontado como homofóbico e racistas por ativistas do movimento gay e dos direitos humanos.

Em 2011, ele disse que os africanos descendem do filho maldito de Noé. Trata-se de Cam, que, segundo Felicano, se aproveitou do pai que tinha bebido vinho para ter com ele uma relação homossexual. O pastor chegou a afirmar naquele ano a uma revista que talvez esse fosse o primeiro registro de uma relação de pessoas do mesmo sexo, e não consensual, porque Noé estava nu em sua tenda fora de si.

O deputado-pastor tem negado que seja homofóbico e que apenas segue a Bíblia, que condenação esse tipo de relacionamento. Tem afirmado, também, que não é racista, inclusive porque tem sangue de africano.

Na sessão de hoje da comissão, a deputada Érika Kokay (PT-DF) questionou a indicação do Feliciano para o cargo, porque, para ele, lhe falta “afinidade”. “Ele afirmou que Aids é câncer gay, que os africanos foram amaldiçoados”, disse. “A candidatura apresentada pelo PSC fere o regimento interno.”

Domingos Dutra (PT-MA), atual presidente da comissão, disse ser "terminantemente contra" a eleição de Feliciano. "Não podemos deixar um fundamentalista assumir a comissão de Direitos Humanos."

A sessão terminou em impasse porque o deputado André Moure (SE), líder do PSC, afirmou que a indicação de Feliciano continuava firme. A Frente Parlamentar Evangélica estaria pressionando o partido a não desistir do pastor.

Ativistas do movimento gay fizeram um protesto durante a sessão. "Até o papa renunciou, Feliciano, sua batata já assou", gritaram.

"Meus direitos foram tolhidos. Fui arranhado, agredido, tive a mãe e a minha família xingadas. Mas meu espírito cristão me impede de revidar", disse Feliciano.

A assessoria de Feliciano afirmou no Twitter que o deputado foi quase agredido e que teve de sair do plenário da comissão escoltado por seguranças. Acrescentou que Feliciano tinha “lágrimas nos olhos”.





Com informação das agências.

Feliciano tenta se explicar, mas repete que África é amaldiçoada
março de 2013

Marco Feliciano

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