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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Icar insinua que candidato da Universal ameaça democracia

cardeal dom Odilo Scherer
Dom Scherer comanda arquidiocese que
 criticou a campanha de Russomanno
A Arquidiocese de São Paulo divulgou nota manifestando preocupação com a eventual eleição de Celso Russomanno a prefeito de São Paulo, porque, insinua, representa uma ameaça à tolerância religiosa e à democracia.

O candidato é do PRB — partido ligado à Igreja Universal — e tem recebido forte apoio da denominação neopentecostal. A sua campanha é coordenada por Marcos Pereira, bispo da Universal e presidente do partido.

Na nota, a Arquidiocese afirma que Pereira, em um texto de 2011 que agora voltou a ser divulgado na internet, demonstra ter ideias “ridículas, confusas e desrespeitosas” em relação aos católicos.

"Se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto? É para pensar", diz a nota da arquidiocese, que é dirigida pelo cardeal dom Odilo Scherer (foto), arcebispo metropolitano de São Paulo.

O texto de Pereira vincula a Igreja Católica ao chamado “kit gay”, que foi uma iniciativa do Ministério da Cultura de uma campanha nas escolas contra a homofobia. Fernando Haddad, ministro da Educação à época e hoje candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, teve de abortar a campanha por causa da pressão das lideranças evangélicas.

Pereira associa no texto o kit gay “à política da catequização da Igreja de Roma”. “[Estamos vivendo] dias de absurdos e depravações”, diz. “Dias em que filhos e netos chegam à escola e recebem 'kits' distribuídos pelos próprios professores lhes ensinando como serem gays ou como optarem por serem gays."

Pereira também diz, no texto, que "precisamos salvar o Brasil e torná-lo um país verdadeiramente laico, completamente livre da influência da religião".

bispo Marcos Pereira, da Igreja Universal
Pereira republicou seu
 artigo em maio deste ano
Para a arquidiocese, “não faz sentido e cheira a intolerância atribuir o malfadado ‘kit gay’ e os males da educação no Brasil à Igreja Católica”.

O bispo Pereira (foto) disse à Folha de S.Paulo que o texto foi publicado em “outro contexto” e que agora está sendo divulgado por intermédio de um perfil falso do Twitter. “A quem interessa trazer isso de volta?"

Contudo, o próprio Pereira republicou o texto em 18 de maio deste ano em seu blog “Pensando o Brasil”, hospedado no portal R7, de propriedade do bispo Edir Macedo, o chefe da Universal.

A três semanas das eleições, Russomanno se consolidou como líder nas pesquisas de intenção de votos. De acordo com o Ibope, ele tem a preferência de 35% do eleitorado, seguido pelo tucano José Serra (19%) e por Haddad (15%).


Íntegra do texto do bispo da Universal Marcos Pereira

Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias. Dias que minha querida avó jamais imaginou viver. Um tempo em que, por anos a fio, os "poderosos de púrpura" de Roma têm controlado a educação em nosso País.

Dias de absurdos e depravações. Dias em que filhos e netos chegam à escola e recebem "kits" distribuídos pelo próprios professores lhes ensinando como serem gays ou como optarem por serem gays. É este o programa "educacional" que o Ministério da Educação planeja adotar nas escolas públicas do nosso Brasil, sem sequer perguntar aos pais se eles concordam ou apoiam a iniciativa.

Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias. Isso mesmo: a didatura das minorias!

Estamos vivendo dias em que as minorias impõem à sociedade seus “valores e caprichos”. Não há outra explicação. Obrigar os menores brasileiros a estudarem um suposto material didático que incentiva a prática da homossexualidade e entenderem isso como algo normal, é, sem dúvida, a imposição da ditadura das minorias. Pior que fazem isso com a ilógica tese da política de conscientização contra a homofobia ou contra a discriminação das preferências sexuais.

Imagine seu filho ou sua filha chegando da escola e dizendo, com toda a inocência de uma criança, que decidiu ser homossexual após assistir a um vídeo na escola? Qual seria a sua reação? Você aceitaria essa situação com tranquilidade e de forma normal?

Provavelmente não! Certamente que não!

E pior: o mesmo Ministério da Educação que defende os livros e vídeos em defesa do homossexualismo é também o responsável pelos péssimos índices da educação do nosso País. Você sabia que, no ranking mundial de qualidade da educação da ONU, o Brasil ocupa a vergonhosa 88ª posição, atrás de países como Bolívia, Colômbia e Paraguai?

As autoridades já impuseram a nós, brasileiros, o ensino religioso nas escolas públicas. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, por exemplo, acabou de votar a criação de 600 cargos para professores de ensino religioso. As contratações custarão aos cofres públicos mais de R$ 15 milhões, dinheiro dos impostos que você, eu e toda a sociedade pagamos rotineiramente.

Agora, tentam nos impor os famigerados "kits gays".

Até quando o Vaticano terá o controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal?

Até quando o Brasil do século 21 continuará se curvando às "batinas púrpuras" de Roma?

Precisamos salvar o Brasil e torná-lo um país verdadeiramente laico, completamente livre da influência da religião.


Marcos Pereira, advogado, especialista em Direito e Processo Penal pela Universidade Mackenzie, Presidente Nacional do PRB – Partido Republicano Brasileiro

Com informação da Folha de S.Paulo e do blog do bispo Pereira.

Candidato da Igreja Universal diz que defende Estado laico
setembro de 2012

Religião na política.   Religião contra religião.

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