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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Seita muçulmana mantinha crianças em cativeiro na Rússia

Faizrakhman Sattarov
Sattarov achava que faíscas de
trolleybus fossem luzes divinas
da BBC Brasil

Quatro membros de uma seita muçulmana foram acusados nesta quarta-feira (8) de atos cruéis contra crianças por mantê-las em cativeiro no subterrâneo de uma casa na região do Tatarstan, oeste da Rússia.

Além das 27 crianças, algumas das quais nunca tinham visto a luz do sol, a polícia também descobriu 38 adultos vivendo em celas oito níveis abaixo da casa do líder da comunidade, Faizrakhman Sattarov (foto).

Nenhum dos integrantes da seita quis comentar as acusações. Sattarov, que se considerava um "profeta" muçulmano, foi acusado pelo crime de "arbitrariedade", quando, segundo a lei russa, alguém "promove ação contrária à apresentada na lei ou a qualquer outro ato normativo legal".

A comunidade foi descoberta em um subúrbio da cidade de Kazan, capital da região do Tatarstan, durante uma investigação sobre os recentes ataques a clérigos muçulmanos no Tatarstan, uma região majoritariamente islâmica às margens do Rio Volga.

Segundo autoridades russas, 19 crianças foram removidas dos subterrâneos para se recuperaram das précarias condições de vida existentes no local.

Algumas delas estão sendo tratadas em abrigos e outras em hospitais, informou o jornal estatal Rossiyskaya Gazeta.

Policiais responsáveis pela operação descobriram que o complexo possuía grande risco de incêndio, além de má ventilação e falta de saneamento. 

Segundo o site russo Islam News, Sattarov, de 83 anos, havia se declarado um profeta muçulmano em meados da década de 60 após interpretar faíscas lançadas por um cabo de trolleybus como "luz divina". Ele e seus seguidores começaram a evitar o contato com o mundo exterior no início do século 21.

De acordo com as autoridades russas, a seita, batizada de Faizrakhmanistas em homenagem a seu fundador, não reconhece as leis do Estado russo ou a autoridade dos líderes muçulmanos do Tatarstan.

Apenas um pequeno grupo de fieis tinha permissão de deixar a comunidade para trabalhar como comerciantes em um mercado local, informou a imprensa local.

As celas localizavam-se oito níveis abaixo de uma decrépita casa de tijolos de três andares em um terreno de 700 m², afirmou a agência de notícias americana Associated Press. A casa tinha sido construída ilegalmente e será demolida, afirmou um policial local.

Líderes muçulmanos no Tatarstan afirmaram não reconhecer os ensinamentos de Sattarov, os quais consideraram contraditórios. "O Islã postula que não há outro profeta senão Maomé", disse o teólogo Rais Suleimanov ao site de notícias ryssi gazeta.ru.

"Os ensinamentos de Sattarov, que se declarou um profeta, foram rejeitados pelos muçulmanos tradicionais", acrescentou. Sattarov foi descrito por Rossiyskaya Gazeta como um velho "doente e delirante".

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julho de 2012 

Casos de fanatismo islâmico.

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