Militância de ateus é perigosamente religiosa, diz leitora

da leitora Zaida a propósito de
Por que é preciso manter a fé cega e a religião longe da política

ateu fanático
Já assisti outras "cruzadas" dessa antes, porque era aluna na época em que fui discriminada como "burguesa" por pertencer à JUC [Juventude Universitária Católica].

Quem não professava a "fé contumaz e inquisitória-perscutória" no ATEÍSMO militante era proscrito, banido a um ostracismo que tornava inviável a convivência, até mesmo numa simples cantina.

É lógico que não fiquei para sempre na JUC, casei-me com um "militante" ateu, meu colega hoje no magistério da universidade.

Aderi finalmente ao ateísmo, para surpreender-me com o fato de que hoje muitos daqueles meus colegas ateus radicalíssimos são evangélicos protestantes, alguns até pregadores em praça pública, como o Campelo, ex-marido da Alba.

Migramos para o PT que também hoje considero uma religião com fervor fanático, só que na época eu não via.

Compreendo perfeitamente o "Delírio de Ateus", porque já vi outros antes desse... E o cérebro humano — numa concepção bem ateia, pra deixar bem claro, porque, apesar de social, EU SOU UMA CIENTISTA — parece pregar essas peças.

Quando escrevi minha tese sobre a empregada doméstica e o cativeiro que essa sofre, fui rotulada pelos religiosos de comunista e ateia... E pelos ATEUS, de religiosa com culpa introjetada!

Eu percebo, e qualquer um com senso crítico percebe, que esta devoção ritual de alguns militantes ateus é perigosamente religiosa: é fundamentalista e fanática.

ESSE ESTADO LAICO ONDE A RELIGIÃO NÃO SE INTROMETE EM POLÍTICA É UTÓPICO. No planeta terra isso não existe em parte alguma. É um sonho de Dawkins, eliminar totalmente a religião de toda a face da terra para que o iluminismo do século XVIII e o positivismo do século XIX finalmente se estabeleçam! Isso é totalitarismo, é nazismo.

É detestável e odiosa a constatação de ter triunfado no mundo justamente essa ideologia amarga e ressentida do politicamente correto. Não se corrigem fins, mas as causas.

O que sustenta a religião é a necessidade humana de religação constante com o todo, com a sociedade (Durkeim), com a autoconsciência (Marx). Não se elimina a religião "cega", pois é uma necessidade do INCONSCIENTE e não se pode eliminar o inconsciente, cuja linguagem é simbólica.

As religiões podem mudar de deuses, ora mais materiais e mais manipuláveis (ídolos), como temos hoje a MIDIATOLOGIA (Gilbert Durand, Pierre Bourdieu). Mas a necessidade de infinito, de ilimitado do ser humano cria sempre novos deuses, novos ídolos e novos MITOS...Como esse do paraíso racionalista ateu, cientificista e pragmático.

Jogar fora a fé cega e conservar a mão que a jogou é o oposto de arrancar a mão que escandaliza, para entrar no Reino de Deus; ou o MESMO apelo radical, apenas dito de modo contrário?

Ateu sofre preconceito igual ao gay dos anos 50, diz filósofo
maio de 2012

Ateísmo    Fanatismo religioso.