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Religião, ateísmo, ciência, etc.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Emissoras públicas não podem ter religião, afirma Sottomaior

Religiosos não querem sair da
programação de emissora estatal
As emissoras públicas de rádio e a TV Brasil – administradas pela EBC (Empresa Brasileira de Comunicação, órgão federal) – não podem ter programas de proselitismo religioso porque o Brasil é um Estado laico, afirmou Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), ao participar ontem (14) de uma audiência pública sobre o assunto.

“Com que direito o Estado pode passar a mensagem de que o cidadão tem de ser religioso?”, indagou.

A audiência foi promovida pelo Conselho Curador do EBC porque religiosos e seus representantes no parlamento estão resistindo à decisão do órgão de acabar com o proselitismo de crença na programação, principalmente na da TV Brasil.

Em março de 2011, o conselho decidiu que TV Brasil deixaria de exibir dois programas católicos e um evangélico, estabelecendo o prazo de seis meses para que fossem tirados do ar.

Ao final do prazo, a Arquidiocese do Rio de Janeiro obteve uma liminar pela permanência da programação. Paralelamente, a bancada parlamentar evangélica passou a pressionar a EBC para que a emissora continuasse a garantir o privilégio concedido às duas religiões majoritárias no país.

Na audiência pública, a Arquidiocese do Rio reafirmou sua posição de não aceitar a mudança na programação. O padre Dionel Amaral argumentou que a Igreja não faz proselitismo na emissora. “Trata-se do cumprimento de uma missão, que é levar a palavra de Deus àqueles que acreditam em Deus”, disse.

Para o pastor Flávio Lima, da Associação Evangélica de Comunicação Reencontro, a EBC, em vez de acabar com os programas religiosos, deveria abrir a sua grade para outras denominações.

O Pai Alexandre de Oxalá–Baba Alaiye, da Rede Afrobrasileira Sociocultural, disse que a programação tem de ser de esclarecimento sobre as religiões, e não de proselitismo.

Daniella Hiche, do Comitê da Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos, afirmou que a EBC tem de se pautar pela laicidade do Estado, mas isso, segundo ela, não impede que tenha uma programação que contemple sem proselitismo a diversidade religiosa brasileira.

Para Sottomaior, é estranho que se procure promover todos os tipos de religião sem que haja, em contrapartida, espaço para a descrença. Trata-se, segundo ele, de uma discriminação, tanto quanto se o Estado promovesse somente o ateísmo.

Ana Fleck, presidente do Conselho Curador, informou que a audiência pública fornecerá subsídios para a definição sobre como as religiões devem ser tratadas nas emissoras da EBC. Uma nova decisão deverá ser anunciada em 120 dias.





Com informação da Agência Brasil.

Deputada quer obrigar TV Brasil a transmitir proselitismo religioso
janeiro de 2012

Religião na TV.    Religião no Estado laico.

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