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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Herbert José de Sousa (Betinho), ateu famoso

Betinho se tornou descrente após
descobrir a ambiguidade de Cristo
O sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho, nasceu no dia 3 de novembro de 1935 em Bocaiúva, uma pequena cidade de Minas Gerais, um Estado de forte tradição religiosa.

O jovem Betinho foi católico praticante, de comunhão diária. Alguns de seus amigos eram sacerdotes. Teve professores jesuítas. Ele fazia parte da ala mais à esquerda da Igreja. Foi da Juventude Estudantil Católica, onde começou a sua militância política. Depois, atuou na Juventude Universitária Católica, na Universidade Federal de Minas. Participou da criação da AP (Ação Popular), da qual foi o primeiro coordenador. Aos 27 anos de idade, se tornou ateu.

Em uma entrevista em dezembro de 1996 ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, ele afirmou que se tornou ateu não por influência do marxismo, mas por fazer terapia com um “psiquiatra louco”.

Disse ele no programa: “[...] houve um momento em minha vida em que a estrutura religiosa foi minada por um psiquiatra louco. Eu estava fazendo um tratamento e ele virou para mim, interpretando um sonho, e disse: 'Você tem uma fixação com Cristo'. Eu falei: 'Claro, eu sou da Ação Católica, toda pessoa da Ação Católica está fixada em Cristo'. E ele falou assim: 'É, mas o Cristo é uma figura ambígua, ele é homem, mas se veste de mulher. Ele é homem, mas tem cabelos compridos'. E eu falei: 'Ih, danou tudo'”.

Ele contou que, nesse momento, toda a sua estrutura religiosa desabou. “Com isso, desapareceu o problema da existência ou não de Deus”.

Mesmo ateu, Betinho continuou ligado ao movimento revolucionário católico. Em 1971, foi exilado para o Chile pela sua atuação na resistência à ditadura militar que se instalara no Brasil em 1964. Com o golpe no Chile em 1973, ele se refugiu na embaixada do Panamá. Depois, morou no Canadá e México.

Os amigos de Betinho sabiam de sua descrença, mas o grande público, não, e ele, até certo momento, apresentava constrangimento ao falar sobre o assunto. Às vezes, quando possível, saía pela tangente.

Na primeira entrevista que deu ao Roda Vida, em dezembro de 1987, ou seja, 9 anos antes da segunda, ele teve de responder a pergunta de uma telespectadora se a “força interior” dele vinha de Deus. Betinho respondeu colocando Deus entre “alguns valores fundamentais”, entre os quais ele acreditava no da justiça, da solidariedade, da fraternidade. Ou seja, deixou Deus de sua lista de valores.

Após 11 anos no exílio, Betinho voltou ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. Em 1981, em parcerias com economistas, fundou o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Foi um período em que se envolveu no movimento pela reforma agrária.

Em 1986, ele soube que tinha síndrome da Aids. Ele contraiu o vírus em uma transfusão de sangue, a qual se submetia regularmente por sofrer de hemofilia. Ele e os seus irmãos Hanfil (cartunista) e Chico Mário (músico) herdaram a doença de sua mãe. Todos foram contaminados pelo vírus HIV e uma época em que ainda não havia o coquetel de medicamentos para neutralizar os efeitos da síndrome. Os irmãos morreram em 1988.

Betinho obteve a notoriedade ao liderar uma campanha contra a fome, cujo auge foi em 1993. A campanha arrecadou toneladas de alimentos, com o envolvimento dos vários setores da sociedade. Ele dizia que “democracia e miséria são incompatíveis”.

Em 1997, teve de se afastar da campanha por estar muito fraco. Morreu no dia 9 de agosto daquele ano.

Betinho dizia que o seu sonho era que todos da sociedade tivessem as mesmas oportunidades de felicidade, mas se reconhecia como utópico.

Alguns de seus amigos católicos tinham dificuldade em aceitá-lo como ateu. Humberto Pereira, por exemplo, que atuou com ele na Juventude Estudantil Católica, declarou à Veja, quando Betinho morreu, que era “impossível” que o companheiro tivesse perdido a fé. Mas Maria Nakano, mulher de Betinho, deu à revista testemunho que não deixa dúvida: "Eu o acompanhei em seus momentos de crise absoluta e pude observar que não procurou se segurar em Deus".

Betinho foi sepultado como tinha pedido: sem orações, cruzes e velas.





Com informação do Roda Viva, Veja e Wikipédia, entre outras fontes.


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