Acordo Brasil-Vaticano ressuscitou projeto da Lei Geral das Religiões

do Brasil Econômico

Dora defende o ensino de
religião sem proselitismo 
O Senado aprovou ao final de 2009 o polêmico acordo entre o Brasil e Vaticano, que estabelece, entre outros pontos, o ensino facultativo da religião católica nas escolas públicas.

A concordata, como são chamados os acordos com a Santa Sé, fez a  bancada parlamentar evangélica desengavetar a Lei Geral das Religiões (Projeto de Lei 160/2009, 5.598/2009), que, se aprovada, dará às demais religiões as mesmas condições obtidas pela Igreja Católica.

A educadora e jornalista Dora Incontri (foto), pós-doutorada em Educação pela Universidade de São Paulo, disse que o acordo com o Vaticano e a Lei das Religiões representam a falência do estado laico.

"Governo não é campo para religião. O acordo ocorreu entre Estado e igreja, e lei não conseguirá garantir as mesmas condições para todas as religiões", afirmou.

Dora disse que a escola deve tratar do tema religião, mas sem o apelo dogmático ou político.

É de opinião também que "não se pode ignorar que 99% da população do país afirma acreditar em alguma coisa", disse. Para ela, desvincular a escola das crenças seria "uma forma de elitismo e autoritarismo".

Dora escreveu, juntamente com Alessandro Cesar Bigueto, a coleção "Todos os jeitos de Crer", voltada para o ensino médio,  e "Jeitos de Crer", para o fundamental. O material aborda a religião do ponto de vista  histórico, filosófico e sociológico com o propósito de levar os alunos a refletir sobre o tema e seu impacto na sociedade.

Disse que as aulas têm de ser dadas por professores de forma interdisciplinar. "O que não podemos é, ainda hoje, ter religiosos na escola pública ensinando dogmas sobre suas religiões".

'Respeito aos outros não pode ser amparado em divindade.'
por Roseli Fischmann em março de 2011

Religião no Estado laico.