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Pesquisa mostra declínio da religião em quase todo o mundo

Processo de afastamento ocorre em três fases e atinge nações de tradições cristãs, budistas, hindus e muçulmanas, informa a Nature Communications


A religião perde importância em quase todo o mundo. A conclusão é de estudo das universidades de Lausanne, Oxford e do Pew Research Center.

O trabalho saiu na revista Nature Communications. Os dados abrangem o período entre 2008 e 2023 em mais de 100 nações, informou o katholisch.de.

Sabine Schüller, repórter do portal alemão, relatou que jovens de 18 a 39 anos são menos religiosos que adultos com mais de 40 anos.


A mudança ocorre em três fases. Primeiro, os jovens deixam de frequentar os cultos. Depois, dizem que a religião não é importante na vida.

Na fase final, as pessoas declaram que não pertencem mais a nenhuma denominação. O processo total de declínio dura cerca de 200 anos.

Jörg Stolz, pesquisador da Universidade de Lausanne e autor principal, disse que o modelo funciona em todos os continentes.

Stolz afirmou que não esperava resultados tão similares em países com tradições budistas, hindus ou muçulmanas.

No Senegal, 78% dos idosos frequentam cultos toda semana. Entre os jovens, a probabilidade de ida ao templo é 14 pontos percentuais menor.

Países como os Estados Unidos e nações da Ásia estão na fase em que a geração nova frequenta menos os templos e dá menos valor à fé.

Na terceira fase estão Alemanha, Dinamarca e Áustria. Nesses locais, a prática e a importância pessoal da religião já são baixas em toda a sociedade.

O distanciamento é geracional. Não é o indivíduo que muda ao envelhecer. As novas gerações já crescem com maior afastamento do sagrado.

A tendência é visível em países de forte tradição como Polônia, Chile e Uruguai. A maioria dos países muçulmanos está nas fases iniciais de queda.

Existem exceções no Leste Europeu e em Israel. Nestes locais, questões políticas e de segurança mantêm ou elevam a religiosidade dos jovens.

O estudo aponta que o Chile e o Uruguai apresentam diferenças geracionais claras na adesão a crenças e práticas religiosas.

Brasil

Nature Communications enquadra o Brasil na segunda fase do declínio religioso global.

Nesse estágio, as diferenças entre gerações aparecem na frequência aos cultos, na importância dada à fé e na menor probabilidade de pertencer a uma igreja.

O estudo indica que o padrão brasileiro é similar ao dos EUA e de outros países das Américas, onde o distanciamento do sagrado avança.

Diferente da Europa Ocidental, que já está na terceira fase, o Brasil ainda mantém níveis moderados de importância pessoal da religião.

Contudo, os dados mostram que os jovens brasileiros crescem com um desapego maior aos dogmas em comparação aos seus pais e avós.

O processo de secularização no país segue a tendência de longo prazo observada em mais de 100 nações pelos pesquisadores de Lausanne e Oxford.

O Censo brasileiro de 2022, embora com atraso, já havia sinalizado o crescimento acelerado do grupo que se declara sem religião no país.

Com informação de katholisch.de.




Comentários

betoquintas disse…
Religião organizada, institucionalizada. Globalmente existe um aumento da espiritualidade. Livre. Até tem ateu. 🤭😏

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