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Religião, ateísmo, ciência, etc.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Notícia dá mais destaque à ‘Bíblia intacta’ do que a mortos

Crença no sobrenatural
contamina um relato
jornalístico do G1
A notícia que o G1 publicou no dia 11 deste mês é um exemplo, entre tantos, da distorção que a crença no sobrenatural causa em um relato jornalístico, que, a priori, deve ser o mais objetivo possível.

Ao informar sobre uma colisão entre duas carretas, seguida de uma explosão, na rodovia MS-306, na região da cidade de Costa Rica (MT), a correspondente do portal deu mais destaque a uma Bíblia, por ela ter ficado “praticamente intacta”, do que aos dois motoristas que morreram carbonizados.

O texto da correspondente tem com base as declarações do delegado Cleverson Alves dos Santos, segundo o qual testemunhas, socorristas e policias ficaram emocionados com o fato de a Bíblia com uma capa de couro e zíper estar inteira, com apenas uma mancha de fuligem. "Ela está intacta e tem dedicatória."

A repórter não informou se alguém se condoeu pelos motoristas mortos ou pela família deles.

Uma possível explicação de a Bíblia ter resistido ao fogo é a sua capa de couro, que tem um ponto de combustão mais alto do que o do papel, por exemplo.

A repórter e o delegado Santos aparentemente não sabem disso.

Tanto que ele comentou: “Só a Bíblia ficou assim [inteira ], o restante ficou tudo retorcido e queimado. É difícil de explicar. Pra quem tem fé é interessante, foi um fato que chamou a atenção, principalmente porque a Bíblia é feita de papel, fácil de queimar, e foi a única que ficou intacta".

Só faltou Santos dizer que tinha havido ali um milagre e a repórter transcrever sem nenhum questionamento.

Se tivesse sido algo assim, por que o bondoso deus cristão preferiu salvar a Bíblia, da qual existem milhões de exemplares, aos dois motoristas? Qual teria sido, nesse caso, o plano divino?

A reportagem não explica.

Notícias distorcidas pela crença religiosa — e às vezes de forma descarada, como essa — têm sido frequentes na internet, incluindo portais de grande audiência, como o G1.

Talvez fosse o caso de os leitores fazerem a campanha “imprensa laica, já!”. Ou considerar esse tipo de notícia pelo que é: lixo.




Por que Estado laico interessa mais aos cristãos que aos ateus

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