França vai combater grupos que apresentam ‘patologia religiosa’

Manuel Valls
Valls disse que repressão
vai incluir grupos católicos
O governo francês anunciou que vai combater firmemente grupos de “patologia religiosa”, para garantir a tranquilidade do país.

Em consequência, informou o ministro Manuel Valls (Interior), na foto ao lado, os imãs estrangeiros radicais vão ser expulsos e haverá a dissolução de grupos religiosos que possam se tornar violentos.

“O objetivo não é usar a força para combater opiniões, mas detectar e entender quando uma opinião pode ter como consequência atos de violência”, disse Valls em uma conferencia onde falou sobre a política oficial para o secularismo. É o ministério dele que supervisiona as relações do Estado com as religiões.

“Vamos avaliar quando é adequado intervir em um grupo que se tornou uma patologia religiosa”, afirmou.

O governo francês pretende, assim, impedir violência como a protagonizada em março deste ano por um muçulmano francês, que matou três soldados e quatro judeus. Para Valls, esse episódio mostrou como o radicalismo de pessoas religiosas pode resultar em violência contra a sociedade.

Estão na mira do governo não só grupos islamitas, como o de muçulmanos salafistas, mas também de católicos, como o Civitas, um movimento leigo de extrema-direita que tem protestado de forma agressiva contra o que considera ser insulto ao cristianismo. Recentemente, integrantes do Civitas, durante uma manifestação contra o casamento gay, agrediram uma jornalista feminista e ucranianas do movimento FEMEN que estavam vestidas de freiras com os seios à mostra e com mensagens nos corpos tidas como ofensivas pelos católicos.

Valls disse que esses católicos fundamentalistas estão passando da linha da legalidade e, por isso, devem sofrer sanções. A cúpula da Igreja Católica tem se mantido distante do grupo, mas lhe dá apoio discreto  quando se manifesta contra a legalização do casamento gay e do aborto.

O ministro afirmou ser uma obrigação do governo combater o extremismo religioso, porque negar “a razão, colocando os dogmas à frente da lei”, é “uma ofensa à república”.

Como exemplos de extremistas religiosos, ele citou os criacionistas norte-americanos, islamitas radicais, ultra-tradicionalistas católicos e judeus ultra-ortodoxos, que rejeitam o mundo moderno.

O combate aos grupos que desenvolvem “patologia religiosa” faz parte de uma iniciativa mais ampla do governo francês, a de vigiar a separação entre Igreja e Estado, de modo a garantir a integridade do Estado laico. No domingo (9), o presidente François Hollande anunciou a criação de uma agência para cuidar dessa atribuição.

Com informação das Reuters, entre outras fontes.





Fundamentalistas católicos franceses tumultuam peça
outubro de 2011

Intolerância religiosa     Secularização