A jovem de 20 anos tinha 48 horas de vida, no máximo. O estado dela era grave: anemina e complicações renais. Ia morrer. A rigor, não por causa da doença, mas porque ela é TJ (Testemunhas de Jeová). Ela precisava urgente de uma transfusão de sangue, o que a sua religião não permite. O Hospital Geral de Caxias do Sul (RS) foi à Justiça e obteve liminar que autorizava a transfusão de sangue, que foi feita no início de outubro. A família recorreu ao Tribunal de Justiça, e a liminar foi cassada duas semanas depois, mas a transfusão já tinha sido feita. A moça foi salva. Não se sabe se para a alegria ou tristeza de seus familiares, que também são TJs. Eles não quiseram se manifestar. Há casos de fiéis que recebem transfusão de sangue – por determinação liminar ou não – que são rejeitados pela família e amigos. São uma espécie de amaldiçoados. A família da jovem é de Farroupilha, cidade gaúcha de 64 mil habitantes que fica a 110 km da capital, Porto Alegre. Antes d...