Guias turísticos diziam que ejaculações de João de Deus curavam mais que operação espiritual

Na 12ª denúncia, curandeiro
 é acusado de ter estuprado
 duas turistas gaúchas

O Ministério Público de Goiás denunciou mais uma vez o curandeiro João de Deus por crimes sexuais. Na 12ª denúncia, o médium é acusado de ter estuprado duas mulheres do Rio Grande do Sul, com o acobertamento de dois guias turísticos. 

"Os guias eram coniventes e atuavam energicamente para que elas não interrompessem o 'tratamento'", disse a promotora Renata Caroliny Ribeiro e Silva. 

Pela denúncia, durante as viagens, as vítimas reportaram aos guias os abusos, mas, em resposta, eles teriam ouvido que aquilo fazia parte do tratamento.

"Eles diziam que as ejaculações poderiam ser muito mais fortes que centenas de cirurgias espirituais que essas vítimas poderiam realizar", disse a promotora.




A investigação apurou que as turistas gaúchas sofreram abuso entre janeiro de 2009 e janeiro de 2011. À época, as vítimas tinham entre 20 e 28 anos.

Para a promotora, o MP-GO começa, a partir da denúncia, uma etapa de investigações para apurar uma rede de proteção ligada a João de Deus.

"Estamos indo além da responsabilização criminal do João Teixeira de Faria (João de Deus). Percebemos que essa rede de proteção atuava energicamente, não só no sentido de serem coniventes, mas também atuavam para que essas vítimas não procurassem a Justiça. Persuadindo-as no sentindo de continuarem com a garantia de cura e limpeza espiritual."

Em dezembro de 2019, ele foi condenado a 19 anos e três meses de prisão por abusos sexuais cometidos contra pacientes na Casa Dom Inácio de Loyola, o hospital espiritual que mantinha em Abadiânia. 

A sentença foi a primeira a ser aplicada por causa das denúncias de violência sexual. O médium já havia sido condenado antes, mas por posse ilegal de arma de fogo. Ele ainda responde a mais 10 ações penais por crimes contra mulheres, uma delas já concluída para sentença.

Com informação da Agência Brasil e de outras fontes.


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EDITOR DESTE SITE

Paulo Roberto Lopes é jornalista

profissional diplomado. Trabalhou

no jornal centenário abolicionista

Diario Popular, Folha de S.Paulo,

revistas da Editora Abril e

em outras publicações.

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