Júlia faltou à escola no dia que teve 8 colegas mortos por atirador

Júlia Barbosa da Silva, 13, às vezes chega atrasada à aula, quando perde o ônibus, mas não é  faltar. Na quinta-feira, 7 de abril, perto das 7h, ela já tinha acordado para mais uma jornada na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, Rio. Na noite do dia anterior, como sempre faz, tinha arrumado a mochila.

Naquela manhã, Júlia se sentiu indisposta sem saber exatamente a causa. Perguntou a sua mãe se poderia deixar de ir à escola. Valéria Barbosa, 38, disse que sim. Horas depois, Júlia ficou sabendo que 8 de suas amigas tinham sido mortas pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira e três ficaram feridas.

A menina se livrou de levar uma bala na cabeça ou, no mínimo, de ver suas amigas serem abatidas sem clemência. Das oito, as mais próximas dela eram Karine Lorraine Chagas de Oliveira, Luisa Paula da Silveira Machado, Milena dos Santos Nascimento, Bianca Rocha Tavares, Ana Carolina Pacheco da Silva e Mariana Rocha de Souza.

É possível que na quinta-feira Júlia tivesse inventado a indisposição para não ir à escola – esse tipo de coisa acontece, é normal.

Mas agora há um motivo real e trágico para que ela não queira ir à escola. Júlia acredita que não vai conseguir continuar na Tasso de Oliveira. Por estes dias, começa a receber tratamento psicológico.

Valéria está aliviada: “Imagina se eu a tivesse mandado para escola? Olha o peso que carregaria.”

Com informação do Portal Terra.

'Vi pelo menos uns sete amigos morrerem. Não sei como não morri'.
abril de 2011

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