Livro conta a 'história secreta do papa tirano Francisco'


Livro teria sido escrito
por católico conservador

por Fabrizio D’Esposito
para Il Fatto Quotidiano

No Vaticano, é o livro do momento entre os inimigos de Francisco e não só. Intitula-se Il papa dittatore [O papa ditador] e é um eBook à venda na Amazon. O autor se esconde sob o pseudônimo de Marcantonio Colonna e se apresenta como um historiador “formado em Oxford”, que reside em Roma desde o início do pontificado de Francisco. Provavelmente é um jornalista inglês.

Esse é o resumo da obra, que tem como subtítulo “A história secreta do papado mais tirânico e sem escrúpulos dos tempos modernos”: Francisco seria um “político manipulador e um hábil promotor de si mesmo” desde os tempos da Argentina, onde teria gostado dos métodos do autocrata Perón.

Resultado: “Por trás da máscara do afável homem do povo, o Papa Francisco consolidou a sua posição de ditador que governa com o medo e fez alianças com os elementos mais corruptos do Vaticano para evitar e reverter as reformas que se esperavam dele”. Algo realmente superficial.


A notícia do livro foi relançada com entusiasmo pelos mais conhecidos sites tradicionalistas italianos e também por blogueiros vaticanos que nunca compartilharam a revolução franciscana.

Os conteúdos, “fruto de estreitos contatos” com alguns cardeais, referem-se a várias questões que animaram a propaganda da direita clerical e “farisaica”, para usar um termo caro ao pontífice: a rebelião curial contra a Amoris laetitia sobre a abertura aos divorciados; os rebeldes na Ordem de Malta, na Pontifícia Academia para a Vidae nos Franciscanos da Imaculada.

Quanto ao foco do texto, porém, chama a atenção a coincidência com a clamorosa e contraditória entrevista concedida ao Corriere della Sera pelo suposto número um do fronte antibergogligano: o cardeal alemão Gerhard Müller, removido em julho da liderança da Congregação para a Doutrina da Fé (a ex-Inquisição). Müller nega a contraposição, mas fala de “possível” cisma e de “círculo mágico” que mal aconselha Francisco.

E, no livro, como exemplo do clima de “medo” e de “suspeita recíproca” dominante na Cúria, citam-se os três colaboradores de Müller, substituídos com base em “conversas privadas” que teriam beneficiado aqueles que as denunciaram ao “círculo mágico”.

Com tradução de Moisés Sbardelotto para IHU Online.




Papa Francisco informa que não virá ao Brasil. Que bom!