Tunísia é o 1º país árabe muçulmano a permitir associação de ateus


Entidade tem 400 integrantes

das agências e sites internacionais

A Tunísia é o primeiro país do mundo árabe muçulmano a autorizar uma associação que defende um dos maiores tabus do islã: o ateísmo.

Foi neste país em que teve início a “Primavera Árabe”, em 2011.

Formada por mais de 400 membros que se declaram “agnósticos e ateus”, a associação, chamada de “Livres Pensadores”, tem como objetivo principal “garantir os direitos daqueles que não se sentem religiosos”.

“Promovemos sua visão da sociedade, questionamos a hegemonia da religião e mostramos que, além de muçulmanos, judeus, cristãos e bahais, também há quem não é religioso”, disse à Agência Efe Munir Baatour, advogado e membro da associação.



Segundo Baatour, o caminho burocrático até conseguir a autorização foi longo e tortuoso: começou no primeiro semestre de 2016 e desde então foi preciso recorrer em sete ocasiões às autoridades, “que nos pediram muitos esclarecimentos e retardaram o processo durante um ano e meio”.

“Disseram que não podíamos argumentar que lutamos contra o extremismo religioso porque não estamos capacitados para isso. Obrigaram-nos a esclarecer que contribuímos para lutar contra o extremismo. Procuravam qualquer desculpa para não legalizar uma associação de ateus”.

Baatour admite que a palavra “ateu” no universo muçulmano, onde a negação de Deus e o politeísmo são dois dos piores pecados, sujeitos à pena de morte em alguns países, “incomoda muito”.

“A maioria das pessoas não pode conceber que existe quem não acredite em deus. É um escândalo para eles. Deus é uma evidência, o Alcorão é a verdade absoluta e tudo o que aparece nele é inquestionável”.

Apesar disso, o advogado acredita que existe um espaço, defendido pela associação “Livres Pensadores”, que servirá para abrir um debate sobre o laicismo na sociedade tunisiana, considerada uma das mais abertas do mundo muçulmano, apesar da firmeza do salafismo radical e violento.

“A Constituição garante a liberdade de consciência, e aqueles que não acreditam no islã não deveriam ser obrigados a jejuar para fingir diante dos demais. Sofrem uma grande repressão”, acrescenta Baatour.





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