Juiz Bretas, não pega bem citar a Bíblia em Estado laico


Juiz não é pastor

Marcelo Bretas [foto], inicialmente parabéns.

Vossa Excelência tem feito um belo trabalho na 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Imagino não ter sido fácil condenar um poderoso criminoso de colarinho branco, o ex-governador Sérgio Cabral, ainda que haja abundância de provas.

Mas pare de citar a Bíblia em suas referências ao caso.

Recentemente, em mais uma menção bíblica, Vossa Excelência citou Mateus 18:21-22, sobre a quantidade de vezes que Jesus estaria disposto a perdoar.

Vossa Excelência, eu sei, leva a sério a devoção religiosa, e a liberdade de crença é garantida pela Constituição.

Mas quem está julgando o Cabral é o juiz Bretas, não o evangélico Bretas.


Jesus não tem nada a ver com a alta malandragem.

Como Vossa Excelência, Cabral também acredita em Jesus, é católico, mas isso, na prática, não faz nenhuma diferença.

Os presídios estão lotados de cristãos.

Além do mais, não pega bem a um juiz citar com recorrência à Bíblia.

O Estado brasileiro é laico, o que também está na Constituição, e os juízes têm por dever de ofício preservá-lo.

Vossa Excelência é culto, e eu imagino que não lhe falte conhecimento para fazer referências com base no mundo jurídico.

As pregações religiosas de Vossa Excelência poderão prejudicar sua credibilidade e depreciar a “leis do homem”, por assim dizer.

Alguém poderá argumentar que Vossa Excelência é rigoroso não porque dá o devido respeito às leis, mas, sim, por se tratar de um fanático religioso.

Pense nisso.





Juiz afronta Estado laico ao citar Bíblia no caso Sérgio Cabral

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