Estupro cometido por padre é ‘assunto delicado’, diz Google


Esta notícia foi deletada

O Google advertiu este site de que a notícia acima é “assunto delicado” e pediu que eu tomasse uma providência.

O site está hospedado na plataforma Blogger, que é mantida pelo gigante da internet. Também usa o sistema da empresa de anúncios, que rende alguns centavos por dia. 

Preferi deletar a notícia a ter de me aborrecer ainda mais. 

Este site ficou fora do ar recentemente por 20 dias por força de um mandado judicial concedido a um suspeito de pedofilia que passou uma temporada na prisão. Derrubou-se todo o site por causa de um único post.

Eu poderia, agora, argumentar com o Google — que é cada vez mais algoritmo e menos gente — que apenas reproduzi uma notícia publicada pela imprensa italiana sobre uma pessoa estuprada dezenas de vezes por padres.

Também poderia dizer ao Google que ele deveria advertir os padres que cometeram o abuso e a Igreja, que acobertou os criminosos, e não a mim.


Se os abusos não tivessem ocorrido não haveria a notícia, não é mesmo?

Eu acho que deve haver, sim, uma peneira que limpe a internet no que for possível de um lixo imenso.

Mas essa providência cada vez mais se excede, impondo a censura por parte principalmente do Google e do Facebook, como se não bastassem os vetos judiciais.

No caso dos estupros,  houve um favorecimento aos criminosos em detrimento das vítimas.

Eis uma gravidade da qual precisamos dar conta: a liberdade de expressão hoje no Brasil já não depende só da maltratada Constituição.

Eu suponho que o impulso censor do algoritmo do Google tenha sido acionado por católicos que ficaram chocados com a divulgação do fato e não tanto com os estupros em si, talvez porque se trata de uma antiga prática dentro da Igreja.

O cerceamento a este site ocorre em um momento em que milícias religiosas promovem blitzes em exposições de arte e em terreiros de umbanda.

Não é coincidência.




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