Por que um partido ateu tem tudo para não dar certo


Um leitor de Belo Horizonte pede que eu divulgue o interesse dele de criar um partido político ateu, que, além de defender a laicidade de Estado, “faça a diferença na vida das pessoas”.

Brasil precisa de um partido ateu?

Não recomendo a criação de um partido ateu porque ateísmo não tem nada a ver com ideologia.

Conheço ateu de esquerda, centro e direita e de nenhum posicionamento político.

A única coisa em comum entre os ateus é que eles não acreditam em divindade.

Tem ateus que admiram Lula e outros que gostam de Bolsonaro. 

Reuni-los em uma agremiação política não daria certo, mesmo considerando que, na prática, os partidos brasileiros são mais fisiológicos do que ideológicos.

O que acho é que os ateus devem exigir dos partidos um mínimo de respeito ao Estado laico, que está expresso na Constituição.

Sim, eu sei, com partidos como o PRB, da Igreja Universal, isso jamais acontecerá.

Mas os "PRBs" devem ser apontados como exemplos da fragilidade da laicidade brasileira, e, por consequência, do regime democrático.


Um partido ateu daria uma legitimação aos partidos de crentes já existentes.

No meu entender, um Estado laico não pode ter um partido ateu, como não deveria ter os religiosos.

O que os militantes ateus devem fazer, sim, é recorrer ao Ministério Público ou diretamente à Justiça sempre que houver uma discriminação contra pessoa pelo fato de não acreditar em deuses.

Trata-se de iniciativas pontuais, mas a longo prazo haverá um avanço, com a criação, inclusive, de jurisprudência. Tenho a impressão de que esse tipo de iniciativa tem dado certo nos Estados Unidos.

Antes de tudo muitos ateus precisam sair do "armário", enfrentando, muitas vezes, o constrangimento em sua própria família, o que não é fácil.

Enfim, em resumo, é preciso conscientização, não um partido.

Ainda assim deixo o e-mail do leitor do “partido ateu” para quem quiser entrar em contato: onofiu7@gmail.com.



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