Alunos discriminam profissões com apoio de escola evangélica

Acessei o site do IENH (Instituição Evangélica de Novo Hamburgo), do Rio Grande do Sul, com a expectativa de lá encontrar uma nota oficial reprovando os alunos que se fantasiaram de atendentes de supermercados, lixeiros, empregadas domésticas, motoboys, etc., em uma manifestação chamada “Se nada der certo”.

Tinha alunos com roupa até de prisioneiros.

Encontrei no site uma nota, não de repúdio, mas tentando justificar a discriminação a profissionais essências para a sociedade, embora eles quase sempre não sejam bem remunerados.

Pior: fiquei sabendo que o escárnio é promovido pela própria escola evangélica.

Entre outras coisas, diz a nota: “Atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto à conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não sucesso no vestibular e também a lidar melhor com essa fase”.

Ou seja, para escola o importante é o estudante passar no vestibular, e não torná-lo cidadão, de modo a respeitar e valorizar brasileiros de todas as profissões.

No Facebook, o sociólogo Leandro Karnal escreveu: “Colocar na mesma escala um presidiário e uma vendedora do Boticário mostra que não existe leitura ética nem de valor na concepção dos alunos e promotores do evento. Não ser rico seria dar errado sempre. Curioso é não considerar uma grande categoria nova: o milionário presidiário”.

Por fim, na nota, a escola pediu desculpas pelo “mal-entendido”.

A reprodução da nota na página do IENH do Facebook há mais de 5 mil comentários, de crítica, na maioria deles.

Lucas Silveira, por exemplo, escreveu: “[Trata-se do] clássico ‘desculpa, mas eu não errei’”.

De confissão luterana, a escola afirma em seu site que “é um espaço de educação com valores e vivências cristãs”.


"Se nada der certo"
Com informação de agências.

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