Políticos prestigiam posse de evangélico suspeito na Lava Jato


Ferreira teria lavado
R$ 250 mil para Cunha

O que não faltou na posse do bispo Samuel Ferreira (foto) na presidência da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil – Ministério de Madureira foram políticos.

No dia 22 de fevereiro de 2017, entre outros, compareceram na sede do Madureira em São Paulo os tucanos Geraldo Alckmin (governador de São Paulo), João Doria (prefeito), Cauê Macris (presidente da Assembleia de SP) e o ministro Gilberto Kassab (DEM).

O ex-ministro Alexandre de Moraes, que já foi tucano de carteirinha, não foi à posse porque no mesmo dia assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

Ferreira está na lista de suspeitos da Operação Lava Jato.

Com base no depoimento de dois delatores, a Procuradoria-Geral da República acusa o bispo de ter “lavado” R$ 250 mil do também evangélico Eduardo Cunha (PMDB), deputado que acabou sendo cassado e atualmente se encontra preso.

Antonio de Almeida Castro, o Kakay, advogado do bispo, afirmou que seu cliente não tinha como saber da origem do dinheiro, porque a igreja recebe milhares de doações, como se fosse comum obter quantia daquela monta de autoridade importante.

O processo no qual Ferreira figura como suspeito tramita na instância do juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR).

A presença de políticos na posse de Ferreira teve um bom motivo: a perspectiva de obtenção de votos, muitos votos.

O Ministério Madureira possui centenas de igrejas e 70 mil pastores.

Ferreira premiou Doria com benção e menção elogiosa: "A igreja só se levanta para receber quem está em patamar altíssimo. Aqueles que querem saudar [o prefeito] digam amém bem forte!"

E todos disseram "amém".

Era de se esperar algo parecido.

Ferreira e sua agremiação estão sempre do lado dos donos de poder de ocasião, como já fizeram com Cunha, Dilma e Lula.

Com informação de Anna Virginia Balloussier, da Folha, e de outras fontes e foto do site do Madureira.

Envio de correção.

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